A análise de solo é fundamental para se obter altos rendimentos em qualquer cultura agrícola ou até mesmo para a produção de forragem na produção animal.

A tomada de decisões técnicas só é possível com base em dados, que demonstrem a real situação do nosso sistema de produção. E a menos que o seu sistema de produção seja hidropônico, a base do sistema de produção é o solo.

Neste artigo, vamos abordar os métodos de amostragem, os métodos de análise química e física do solo e as suas principais finalidades no contexto agrícola atual.

Sem a análise de solo não temos informações suficientes para realizar as práticas mais simples como a correção da acidez do solo e a adubação das culturas agrícolas.

Apesar da análise química do solo ser a mais comum, uma vez que é utilizada para o diagnóstico da fertilidade, também existem as análises físicas e biológicas.

A análise física de solo visa determinar propriedades como a textura (se um solo é argiloso ou arenoso) e identificar a ocorrência de compactação na camada superficial do solo.

Mesmo existindo métodos para a determinação da atividade ou presença da fauna edáfica, a análise biológica do solo é menos comum, mesmo em nível de pesquisa.

Apesar de a fauna edáfica desempenhar papel fundamental, a análise de solo biológica ainda não tem sido adotada como indicador para o manejo da lavoura.

Entretanto, com o aumento de problemas de pragas e doenças no solo, especialmente de nematoides e de doenças radiculares, existe uma tendência de que os indicadores da microbiologia do solo ganhem uma importância cada vez maior nos próximos anos.

Aquela visão mineralista da fertilidade do solo, voltada apenas para os elementos químicos, tem dado lugar a uma visão mais sistêmica, que trata o solo como um organismo vivo, como há décadas nos ensina Ana Primavesi.

Para garantirmos o diagnóstico correto através da análise de solo, existem metodologias de coleta descritas para os diversos tipos de cultivos, conforme o seu interesse.

Essas metodologias visam garantir a representatividade da análise de solo, fazendo com que o diagnóstico obtido seja coerente com a realidade da sua lavoura.

Isso inclui diferentes estratégias de coleta considerando os diferentes cenários encontrados na lavoura em virtude de espaçamento entre plantas, culturas, ferramentas de coleta, número de amostras, dentre outros.

Posteriormente, é necessário que você interprete os resultados disponibilizados pelo laboratório.

Planejamento da análise de solo

Em um primeiro momento, você precisa pensar na sua lavoura integralmente e entender como a análise de solo vai ser uma ferramenta capaz de alavancar a produtividade e o lucro.

Sendo assim, é possível se questionar sobre os possíveis problemas que poderão estar travando o desempenho da atividade.

É preciso delimitar se a análise de solo vai servir somente para indicar a necessidade de calagem e adubação.

Por outro lado, talvez você já tenha alguma gleba da lavoura com Sistema de Plantio Direto implantado há vários anos e seria interessante estudar a presença de camadas compactadas.

É importante sempre ter claro em mente que a análise de solo vai servir para nos dar informações para a tomada de decisão referente a algumas práticas de manejo.

Por isso, planejamento e organização são fundamentais.

A calagem deve ser realizada com cerca de três meses de antecedência.

Se o laboratório da sua região entrega os resultados em um mês, a análise de solo deve ser realizada cerca de 6 meses do cultivo de interesse.

O próprio diagnóstico da compactação do solo deve ser realizado com tempo hábil para a realização de escarificação, se for o caso.

Seria horrível investir dinheiro em coleta e análise de solo e não poder aproveitar os resultados em função de não ter tempo para executar alguma prática.

Nesse caso, você estaria perdendo dinheiro ao perder em produtividade e ao investir em análises de solo sem ter retorno.

Outra dica importante é sempre ter as informações sobre o histórico de amostragem, resultados e manejo empregados na lavoura disponíveis em algum arquivo.

Com isso é possível identificar possíveis problemas e encontrar soluções mais facilmente.

Coleta das amostras

A coleta das amostras para a análise de solo é a etapa mais delicada, pois uma pequena porção de material será utilizada para inferir sobre uma gleba inteira.

Por isso, as amostras e o resultado da análise de solo devem ser representativos da realidade.

Com esse objetivo, precisamos dividir a área total da lavoura em glebas homogêneas, ou seja, em áreas com solo, topografia, vegetação e histórico de uso semelhantes.

Se você não fizer isso, podemos misturar material proveniente de um solo mais fértil cultivado e adubado anualmente para o cultivo de soja com outro com manejo menos intensivo.

Além disso, é comum ocorrerem áreas relevantes com tipos de solo bem distintos na mesma lavoura.

Se isso acontecer, por exemplo, teremos um resultado de teor de P no laudo de análise de solo que não vai representar nem uma das duas realidades evidenciadas nos casos acima.

Sendo assim, a separação da área total em glebas menores com características semelhantes é fundamental para uma boa análise de solo.

A amostragem pode ser feita através de pá de corte ou de trados.

É necessário que você colete cerca de 15 subamostras em cada gleba homogênea, as quais devem ser misturadas para formar uma única amostra composta que será enviada ao laboratório.

Essa amostra composta deve conter cerca de 500 g, pois, em laboratório, são utilizadas pequenas porções para a análise de solo.

Por isso, a realização dos procedimentos descritos é fundamental enquanto que a quantidade de solo a ser enviada não interfere no resultado final desde que se envie o mínimo solicitado.

Em sistemas com revolvimento do solo, como preparo convencional e cultivo mínimo, a camada a ser amostrada para a análise de solo é a de 0 a 20 cm.

Entretanto em Sistema de Plantio Direto consolidado (SPD), a camada considerada para amostragem é a de 0 a 10 cm.

No Sistema Plantio Direto pode ocorrer maior variabilidade de fertilidade vertical e horizontal em função do não revolvimento do solo.

Por isso, deve-se tomar cuidado para não sub ou superestimar a fertilidade do solo durante a coleta.

Além disso, deve-se prezar por não perder os primeiros centímetros de solo ao se realizar amostragem com o trado, pois essa é a camada mais fértil.

Técnicas de Vendas e Marketing no Agronegócio
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Análise química do solo

A Análise química do solo é aquela que diagnostica a fertilidade química da lavoura.

Apresenta os teores de macro e micronutrientes, além de atributos como teor de matéria orgânica, argila, pH, capacidade de troca de cátions (CTC), saturação da CTC por bases, dentre outros.

Por isso é uma ferramenta importante para você inferir sobre a necessidade de calagem e adubação da área.

Após o envio das amostras, o laboratório irá emitir um laudo apresentando a análise de solo com as informações solicitadas.

Sendo assim, possuindo o laudo da análise de solo, basta interpretar os resultados e efetuar a tomada de decisão.

 

Análise de solo: como coletar amostras, analisar e interpretar resultados

 

O K, por exemplo, é um cátion e seu comportamento depende da CTC do solo. Por isso, o seu enquadramento em uma das classes considera esse atributo.

Quando você for procurar a dose do fertilizante potássico para determinada cultura, a faixa de K será utilizada como base.

É importante lembrar que você deve procurar as recomendações para a sua região e os valores apresentados na tabela acima foram desenvolvidos para um local específico do país.

Uma lógica semelhante pode ser traçada para os demais nutrientes, respeitando suas especificidades.

Para avaliar a necessidade de calagem é preciso comparar o valor de pH em água com o mínimo exigido para o sistema de cultivo e a cultura utilizados, variando de 5,5 a 6,0 na maioria dos casos.

Outro dado importante disponibilizado pela Análise química do solo é o Al trocável, o qual pode ser tóxico para as plantas quando em concentrações elevadas.

Análise física do solo

A análise física do solo busca, usualmente, verificar as características relacionadas à textura, compactação, armazenamento e infiltração de água.

A textura é uma propriedade intrínseca do solo, ou seja, não é influenciada pelo manejo.

Ela representa os teores de silte, argila e areia, fatores que impactam diretamente a estrutura do solo. Ademais, ela auxilia na escolha das práticas de manejo.

Isso fica evidente quando consideramos os cuidados diferenciados para manejar solo argiloso e arenoso, os quais apresentam peculiaridades que demandam estratégias diferentes de condução.

Por exemplo, enquanto a drenagem pode ser um problema em solo muito argiloso, uma das principais preocupações em áreas arenosas são a preservação e aumento do teor de matéria orgânica.

 

Análise de solo: como coletar amostras, analisar e interpretar resultados

 

O procedimento para coleta de amostras para determinação da textura pode ser o mesmo descrito anteriormente, você precisaria apenas solicitar essa análise de solo em adição à química.

A compactação do solo agrícola é um dos problemas mais comuns que ocorrem em virtude do tráfego de máquinas em condições e umidade inadequadas e outras práticas de manejo.

A compactação é virtude do aumento da densidade em camadas superficiais ou subsuperficiais em função de pressões exercidas no solo, elevando a resistência à penetração das raízes.

A análise de solo que pode diagnosticar a ocorrência de compactação é a resistência mecânica do solo à penetração (RP).

Esta análise de solo não pode ser feita através de amostras coletadas segundo o método apresentado nesse texto, pois é um atributo dependente da estrutura do solo.

Por isso, ela é, comumente realizada por meio de aparelhos disponibilizados por empresas, os quais são capazes de medir a RP e são chamados de penetrômetros.

O crescimento e desenvolvimento das plantas é restringido em valores de RP acima de 2 MPa.

Portanto, quando você detectar valores acima de 2 MPa, é importante pensar em práticas capazes de diminuir a RP como a escarificação.

Outra análise física do solo comum é a determinação da umidade do solo através de tensiômetros instalados na lavoura, a qual é útil para o manejo de áreas irrigadas.

Análise de solo e a agricultura de precisão

A agricultura de precisão ganhou e ainda continua recebendo destaque no contexto do Agronegócio que almeja altas produtividades com melhor uso de insumos.

Uma das inovações trazidas pela agricultura de precisão é a aplicação de fertilizantes em taxa variada, respeitando a variabilidade espacial química da área.

Muitas vezes é difícil separar a lavoura em áreas realmente homogêneas, pois o trabalho pode se tornaR exageradamente oneroso ao ser necessário criar muitas glebas.

Por isso, somos forçados a considerar áreas distintas entre si em uma mesma gleba.

Com isso, uma recomendação de adubação baseada numa análise de solo proveniente dessa gleba, provavelmente não vai ser adequada.

Uma alternativa viável e a coleta georreferenciada de amostras para a análise de solo.

Após a análise de solo, os dados são tabulados e transferidos para “softwares”, os quais podem interpolar os dados para a geração de mapas de fertilidade da lavoura.

Existem tecnologias que inseridas no maquinário possibilitam a aplicação pontual de fertilizantes, conforme a malha amostral realizada e a variabilidade espacial química.

Esse processo demanda uma estratégia de coleta de amostras diferente da descrita anteriormente para a análise de solo.

Primeiramente, você necessita delimitar a área, o que pode ser feito através de percorrimento e coleta das coordenadas geográficas em determinados intervalos de tempo.

Existem diferentes estratégias de amostragem de solo para a agricultura de precisão.

A amostragem sistemática em grades deve ser empregada quando há grande heterogeneidade dentro da lavoura, com diversas pequenas áreas com histórico de uso diferente, por exemplo.

Para isso, a área deve ser dividida, com base em um mapa georreferenciado da lavoura, em glebas menores denominadas células que variam de um a vários hectares.

As amostras devem ser coletadas dentro de cada célula (no centro, na intersecção ou aleatoriamente), sendo que se pode coletar 5 a 8 subamostras para cada amostra composta.

As subamostras devem ser coletadas dentro de um raio de 5 a 15 m do ponto georreferenciado.

Também é possível realizar a amostragem dirigida.

Essa estratégia deve ser utilizada quando há conhecimento do histórico da lavoura onde esteja ocorrendo problemas de produtividade identificado por imagens de sensoriamento remoto ou mapas de produtividade.

A coleta de amostras deve seguir o que foi descrito no segundo item deste artigo, com o registro das coordenadas geográficas dos pontos para possibilitar outras coletas, se necessário.

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