O termo commodities é o plural da palavra commodity, que em inglês quer dizer “mercadoria“.

De maneira simplificada, podemos considerar que as commodities são itens que atuam como matéria-prima para a geração de outros produtos ou subprodutos.

As commodities caracterizam-se por serem produzidas em grande escala e, como são itens com fins comerciais, devem ser armazenadas sem que percam a sua qualidade. Podemos dizer então que:

Commodity é um produto de origem primária (matéria-prima), padronizado, produzido em grande escala, e que tem seu preço determinado pela oferta e pela procura internacional.

De modo geral, as commodities agrícolas são itens primários oriundos das plantações e lavouras. Apesar disso, nem todos os produtos que têm origem no campo podem ser considerados como commodities.

Um produto agrícola só pode ser considerado uma commodity quando o mesmo é comercializado nas bolsas de valores.

Deste modo, os preços das commodities agrícolas são regulados pela lei da oferta e da procura, ou seja:

  • O preço será elevado se houver alta demanda para determinado produto e pouca oferta.
  • O preço será baixo se a demanda para determinado produto for baixa e oferta for alta.

São os mercados internacionais que determinam quanto valem as commodities agrícolas.

Isto se dá por meio da compra e venda de ações, entretanto, para que isso ocorra, tal produto deve ser um bem de alto valor comercial e/ou estratégico.

A soja é um ótimo exemplo de commodity agrícola, por ser um produto homogêneo e de alto valor agregado no mercado internacional. No Brasil, a soja representa a principal commodity, pois é o produto mais exportando.

Além da soja, outros produtos tem destaque nas bolsas e mercados internacionais. Dentre os quais, atualmente, as principais commodities agrícolas são:

  • Açúcar cristal
  • Algodão
  • Boi gordo
  • Café
  • Etanol
  • Laranja
  • Milho
  • Soja
  • Trigo

Nos dias atuais, o sucesso financeiro das atividades rurais depende muito do êxito na comercialização das commodities agrícolas.

O aumento dos custos de produção agrícola observados nos últimos, associado à estagnação das produtividade das principais commodities agrícolas têm obrigado os agricultores a realizar um planejamento cada vez mais eficiente da comercialização da produção.

Temos observado que, nos últimos anos, a comercialização tem sido o principal gargalo na gestão de grande parte das propriedades rurais do Brasil.

Faz-se necessário, portanto, compreender os diferentes mecanismos de comercialização das commodities agrícolas disponíveis e traçar estratégias para se proteger das oscilações do mercado e para garantir maior lucratividade da atividade agrícola.

Neste artigo, vamos abordar os principais mecanismos de comercialização de commodities agrícolas.

Preparado? Então, vamos lá!

Mercado à vista de commodities agrícolas

 Como o próprio nome já diz, o mercado à vista de commodities caracteriza-se pela negociação de determinado produto com pagamento à vista, ou seja, no momento em que se fecha a negociação.

Da mesma forma como nós fazemos corriqueiramente ao ir no supermercado, por exemplo e, comprar um 1 kg de açúcar.

No mercado de commodities agrícolas, estes itens podem negociados por meio de ações ou através do produto propriamente dito. Desta forma, são negociadas a partir de quantidades pré-estabelecidas, por exemplo:

  • Sacos de grãos de soja (60 kg).
  • Arrobas de boi gordo (15 kg).
  • Sacos de açúcar cristal (50 kg), etc.

Cada ação ou saco de soja, por exemplo, possui um preço específico e, para cada unidade do produto deverá ser pago esse preço pelo comprador.

A venda e compra de commodities no mercado financeiro à vista, determina que, ambos, o produtor e negociador, estarão sujeitos aos preços vigentes de mercado no momento da negociação.

Este tipo de negociação pode ser um bom ou um mal investimento.

A negociação à vista das commodities agrícolas será vantajosa ao comprador no caso de oscilações do mercado. Isso corre, por exemplo, quando o preço pago por determinado produto subir e, como foi pago o preço do mercado à vista o comprador não sofre com o mercado futuro.

Mercado a termo de commodities agrícolas

O mercado a termo de commodities agrícolas pode ser definido como um acordo entre duas partes. Onde se realiza uma negociação para compra ou venda de um produto, em uma data futura pré-estabelecida.

Além disso, estabelece-se um preço, o qual é pré-fixado no momento da negociação, com prospecção para pagamento à vista ou a prazo.

Sendo assim, o mercado a termo de commodities são negociações que visam a entrega futura de um produto, entretanto, o seu preço é definido em concordância das partes com base no mercado atual.

Esta é uma opção interessante, quando ambos, vendedor e comprador, desejam eliminar os riscos econômicos atrelados as oscilações indesejadas nos valores das commodities.

Neste tipo de negociação, as partes interessadas determinam antecipadamente a cotação de venda. Estabelecendo, inclusive, a quantidade do produto, a qualidade mínima e a data para liquidação do contrato.

A liquidação do contrato, nada mais é do que a entrega física do produto negociado. Por exemplo, a entrega de 500 sacos de soja.

Para que haja uma melhor compreensão, considere o exemplo abaixo:

Um agricultor de soja vendeu 500 sacos de grão ao preço de R$ 80,00 no mercado a termo.

Na data da liquidação do contrato o valor estava em R$ 75,00 por saco.

Sendo assim:

Venda da commodity: R$ 75 x 500 sacos = R$ 37.500

Resultado no Termo: (R$ 80 – R$ 75) x 500 = R$ 2.500

Resultado Total: R$ 80 x 500 = R$ 40.000

Este exemplo demonstra que o preço do saco de soja no momento da fixação do contrato era de R$ 80,00. Entretanto, devido as oscilações do mercado financeiro, o valor caiu para R$ 75,00.

Dessa forma, pode-se notar que o contrato foi vantajoso para o produtor. Viso que, ele garantiu um lucro de R$ 2.500, independente da situação atual do mercado.

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Mercado futuro de commodities agrícolas

O mercado futuro de commodities agrícolas teve origem a partir da evolução dos contratos a termo. Esse tipo de negociação também é conhecido como mercado de derivativo, visto que dependem ou derivam dos mercados físicos.

O mercado futuro funciona da seguinte forma: antes mesmo de abater o boi ou colher a produção de soja, o produtor e o comprador acertam um valor as commodities, com entrega e pagamento em uma data futura.

Deste modo, não é necessário a posse das commodities antes de sua venda. Os contratos futuros permitem posições compradas (quem se compromete a comprar o produto) e vendidas (quem se compromete a vendê-los).

Na prática, funciona como uma espécie de “contrato de intenção de compra e venda”.

Dessa maneira, o agricultor “bloqueia” o preço das commodities e reduz os seus riscos. Caso ocorram flutuações financeiras no valor de mercado do produto.

Os contratos de mercado futuro estabelecem que, se no dia acordado para a liquidação, o valor de mercado estiver abaixo do que foi acordado, o vendedor recebe a diferença.

Contudo, se o valor de mercado das commodities estiverem acima, é o comprador quem recebe a diferença financeira.

Na prática, nada mais é do que uma aposta de negócios, onde o comprador ganha com a alta dos preços e o vendedor com a baixa.

O comprador só lucra quando o preço à vista na liquidação do contrato futuro for superior ao preço original do futuro. Já que, desta forma ele poderá adquirir a commodity pelo preço futuro acordado e, imediatamente, vendê-la por um preço maior no mercado à vista.

Mercado de opções

 O mercado de opções corresponde a transações onde são acordados os direitos de compra e venda das commodities, além dos preços e prazos.

Este tipo de negociação se dá pelo direito (mas não a obrigação) de se adquirir ou vender algo a um valor pré-estabelecido (em inglês, strike price).

Entretanto, está compra ou venda, pode ocorrer em qualquer momento, desde que esteja dentro do prazo de vencimento previamente estabelecido entre as partes interessadas.

Na negociação de commodities agrícolas, o mercado de opções vem ganhando espaço nos últimos anos, visto que trabalha com certa flexibilidade.

Alguns especialistas consideram que este tipo de negociação possibilita uma melhor gestão de risco, tanto para quem compra, quanto para quem vende as commodities.

Além, da capacidade de estabelecer expectativas específicas para o retorno do investimento.

Na prática, o mercado de opções ocorre da seguinte forma:

Supondo que você decide comprar café arábica, para isso é necessário que se estabeleça um preço para entrega, no mês de setembro, por exemplo.

Nós estamos em junho e o preço do café arábica está sendo cotado a U$ 97 por saco. Baseando-se nesta cotação, você pode optar pelo mercado de opções para assegurar o preço de compra do café arábica. Bem como a margem de lucratividade relacionada a uma possível elevação do valor de mercado do café.

Quando um investidor opta pelo mercado de opções, ele está protegendo os seus investimentos contra, uma possível, alta dos preços. Pois se o preço do café, em setembro, estiver U$ 100, ele pagará somente U$ 97 por saco.

Relações de troca (Barter)

As relações de Barter (do inglês, permutar), ou simplesmente, relações de troca, são instrumentos úteis ao mercado de commodities agrícolas e ao agronegócio brasileiro.

Pois beneficiam, não só quem está negociando a venda de insumos, como também quem está adquirindo, neste caso os agropecuaristas.

Este tipo de negociação está presente no agronegócio brasileiro desde 1990. Apesar disso, o Barter somente ganhou maior relevância, a partir de 2013.

As operações de Barter, na prática, funcionam como uma negociação, que ocorre antes da colheita da safra. Ela permite que o agricultor use os insumos que julgar necessários à sua atividade e, que o mesmo efetue o pagamento destes insumos, apenas quando colher.

Em resumo, o pagamento dos insumos é feito com a produção de determinado produto.

As relações de Barter surgiram com o objetivo de facilitar as transações comerciais entre empresas fornecedoras de insumos e produtores de commodities agrícolas.

Sendo assim, por exemplo, se um agricultor possui milho armazenado em silos, ele pode negociar estes grãos em troca de insumos necessários para o início de uma nova safra de grãos.

Devido a esta facilidade de negociação, a prática de Barter é muito utilizada em culturas como, café, soja, milho e algodão.

As relações de Barter, englobam hoje, diferentes commodities e representam, cerca de, 25% do faturamento de grandes empresas do agronegócio brasileiro.

Em função das características citadas a acima, as relações de Barter tornam-se cada vez mais atrativa para o agricultor. Pois, flexibilizam a comercialização das commodities, visto que o preço é estabelecido no momento da venda antecipada.

Como ocorre a formação dos preços das commodities agrícolas no mercado interno

Como vimos nos itens anteriores, o preço das commodities agrícolas é orientado pelo livre mercado. Seguindo as leis da oferta e procura, além da política monetária internacional.

No mercado de produtos agrícolas, o preço das commodities está fortemente relacionado à produtividade de determinado produto, em nível mundial. Em virtude de serem produzidas em larga escala, sem distinção entre cultivares e poderem ser armazenadas sem que percam a sua qualidade final.

O nosso país é, atualmente, um dos maiores fornecedores de commodities agrícolas do mundo. Por isso, tem grande influência na formação de preços.

Por exemplo, hoje o Brasil é maior exportador de soja do mundo. Supondo que uma catástrofe climática ocorra em território nacional e, com isso ocorra uma quebra na safra, haverá menos soja disponível para negociação.

Sendo assim, haverá menos soja no mercado internacional e, provavelmente a demanda continuará a mesma. Neste cenário hipotético, é muito provável que o preço da soja no mercado de commodities sofra um aumento.

Além disso, o preço das commodities agrícolas também sofre influência das flutuações do preço dos insumos agrícolas. Visto que, boa parte dos insumos que utilizamos provém de empresas multinacionais, que operam com capital estrangeiro.

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