As plantas são capazes de estabelecer relações com micro-organismos de diferentes tipos.

As micorrizas representam a associação de fungos e das raízes de plantas em uma relação de simbiose, destacando-se as micorrizas arbusculares como o principal grupo.

Nessa relação de simbiose, os dois organismos (plantas e fungo) interagem entre si e ambos podem ser beneficiados.

A relação de simbiose mais conhecida na agricultura é a das bactérias fixadoras de N com plantas leguminosas.

Esse processo é chamado de fixação biológica de N e, em culturas como a soja, pode representar o suprimento integral desse nutriente.

Nesse caso, a única prática que você precisa executar é a inoculação das sementes com a bactéria.

Já as micorrizas representam a relação de fungos com o sistema radicular das plantas.

Essa relação é capaz de induzir a maior absorção de nutrientes como o P.

Outros benefícios relatados são a agregação do solo, maior absorção de água e maior resistência a estresses bióticos e abióticos também podem ser verificados.

Apesar de os benefícios proporcionados pelas micorrizas já terem sido documentados, o seu uso na agricultura ainda é pouco difundido.

Isso fica claro quando você percebe que existem diversos produtos para inoculação de bactérias fixadoras de N e o primeiro produto comercial para inoculação com micorrizas foi produzido somente em 2018.

Esse produto foi disponibilizado para as culturas da soja e do milho.

Se você deseja entender tudo sobre o que são as micorrizas e o papel que elas desempenham na nutrição de plantas, continue a leitura!

O que são micorrizas?

Micorrizas são as associações entre as raízes de plantas e fungos, onde os dois organismos são beneficiados.

Enquanto a planta fornece compostos com C (fixados via fotossíntese) para os fungos micorrízicos, eles suprem as plantas com nutrientes.

Isso é possível em função de os fungos produzirem hifas intra e extra-radiculares capazes de absorver elementos minerais do solo e transferi-los para as raízes.

Nas raízes, esses elementos são absorvidos pelas plantas, favorecendo sua nutrição.

Além disso, as hifas extra-radiculares são mais finas que os pelos radiculares, apresentando grande capacidade de crescimento.

Com isso, elas têm maior eficiência de absorção de nutrientes e exploram um volume de solo maior do que as raízes seriam capazes.

Deste modo, as plantas acessam um volume de solo maior e podem absorver mais nutrientes e água.

Para que esta associação se concretize, são necessários diversos pré-requisitos.

Em um primeiro momento, é essencial que haja compatibilidade genética entre a planta e a estirpe do fungo.

Além disso, fatores como o tipo de solo, pH e disponibilidade de nutrientes também interferem nessa relação.

Em condições naturais, mais de uma espécie de fungo coloniza as raízes de uma mesma planta hospedeira.

Sendo assim, os benefícios proporcionados pelas micorrizas também dependem dessa comunidade fungos colonizadores das raízes e da competição estabelecida entre eles.

Os fungos que formam micorrizas são simbiontes obrigatórios.

Isso quer dizer que eles não são capazes de sobreviver sem o C fornecido pelas plantas.

Já as plantas, na maioria das vezes, são capazes de completar seu ciclo sem a presença de micorrizas, embora possam ser beneficiadas por elas.

Em solos adubados, com alta disponibilidade de nutrientes, as micorrizas podem ser inibidas em plantas como a Brachiaria (Urochloa brizantha).

Isso ocorre porque plantas como essa têm sistema radicular bem desenvolvido e tende a formar menos micorrizas em solos férteis.

Porém, em condições de baixa fertilidade, a ocorrência de micorrizas é estimulada.

Ainda existem plantas que só completam seu ciclo com a presença de micorrizas (Sclerolobium paniculatum) e plantas que não formam micorrizas como as da família Brassicaceae.

No caso de Sclerolobium paniculatum (taxi-dos-campos), ela só se desenvolve na ausência de micorrizas quando o solo for rico em P, o que não ocorre na sua região de ocorrência natural (Amazônia).

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Micorrizas e a absorção de nutrientes pelas plantas

As micorrizas podem favorecer a absorção de nutrientes como Cu, Mg, Zn e, principalmente de P.

Todos esses elementos são pouco móveis no solo.

O destaque das micorrizas em beneficiar a absorção de elementos pouco móveis no solo é função de que, em condições naturais, sua deficiência é mais comum.

Comparativamente com o N, que é móvel no solo, a deficiência por P tende a ocorrer mais comumente em condições naturais, ou seja, sem adubação.

O P é um macronutriente, atuando de forma estrutural na composição de ácidos nucleicos, fosfolípideos e em diversas enzimas.

Além disso, o P é fundamental para o metabolismo energético das plantas.

Esse elemento encontra-se em baixas concentrações em solos intemperizados, como os tropicais.

Na região da rizosfera, a concentração do P normalmente é ainda menor em função da absorção pelas plantas.

Nesse contexto, as micorrizas surgem como uma adaptação evolutiva das plantas, tornando-as capazes de buscar P em camadas mais profundas do solo.

As principais razões para o aumento da absorção de P pelas micorrizas são as seguintes:

– Aumento do volume de solo explorado pelas plantas através das hifas dos fungos

– Pequeno diâmetro das hifas dos fungos, tornando possível o alcance de regiões do perfil do solo que as raízes não são capazes

– Maior eficiência de captação do nutriente pelos fungos

A melhor nutrição de plantas com micorrizas proporciona maior crescimento e taxa fotossintética e aumento da transferência de carboidratos para raízes.

Se você considerar que o P é um elemento não renovável no planeta, estratégias capazes de tornar o seu uso mais eficiente são importantíssimas.

Além disso, aumento de eficiência de uso do P também significa que você precisará investir menos em adubação fosfatada.

Por isso, o uso de micorrizas na agricultura é promissor.

Para isso, ainda são necessários mais estudos para identificação de estirpes de fungos compatíveis com plantas de interesse nos diversos ambientes do país.

Técnicas de multiplicação em laboratório e estratégias de inoculação também precisarão ser consolidadas.

Efeitos das micorrizas no solo

Além de aumentar a absorção de P pelas plantas, as micorrizas podem causar outros impactos no perfil do solo, principalmente nos atributos físicos.

Essas alterações ocorrem devido à expansão das próprias hifas dos fungos no solo.

Além disso, o estímulo ao crescimento e desenvolvimento das raízes também influenciam algumas propriedades dos solos.

A agregação do solo é o principal atributo modificado pelo desenvolvimento de micorrizas.

A agregação do solo consiste no arranjo das partículas minerais e orgânicas presentes no solo em agregados.

Esse processo é favorecido pela atividade das raízes de plantas e da fauna edáfica.

Estudos indicam que as micorrizas também influenciam a formação de agregados maiores e mais estáveis.

Um dos fatores responsáveis por isso é a exsudação de uma proteína chamada de Glomalina pelas hifas dos fungos micorrízicos.

Essas proteínas são bastante estáveis no solo e representam uma importante fonte de C orgânico, o qual participa da formação de agregados.

Isso significa dizer que as micorrizas são capazes de tornar o solo menos suscetível à ocorrência de erosão, favorecem a aeração, aumentam o armazenamento e retenção de água.

Nesse contexto, podemos considerar que as micorrizas ainda são um dreno potencial de CO2 atmosférico.

Isso é verdadeiro se você considerar que o C sintetizado pelas plantas é incorporado através dos resíduos vegetais e da biomassa microbiana.

Isso indica que as micorrizas têm potencial de mitigar o efeito estufa mediante o sequestro do CO2 atmosférico que é alocado no solo.

Estima-se que, globalmente, fungos micorrízicos possam ser responsáveis pelo dreno anual de cinco bilhões de toneladas de C nos solos.

Outros benefícios proporcionados pelas micorrizas

A existência de interação simbiótica de plantas e fungos é bastante antiga, correspondendo a um mecanismo evolutivo das plantas que possibilitou a sua sobrevivência ao longo do tempo.

Desse modo, as micorrizas também possuem importância ecológica em ecossistemas naturais.

Isso ocorre porque as micorrizas causam impactos em processos relacionados à estabilidade de ecossistemas, ao participarem de forma ativa e significante na dinâmica do C e agregação do solo.

Além disso, como você já percebeu, as micorrizas afetam a nutrição mineral das plantas.

É necessário que haja compatibilidade entre as plantas e os fungos para que essa interação simbiótica ocorra.

Logo, a capacidade de algumas espécies de plantas sobreviverem em determinados locais e a diversidade vegetal da paisagem será afetada pela formação das micorrizas.

Por outro lado, os elementos da paisagem também podem influenciar a ocorrência de determinadas espécies de fungos micorrízicos.

Deste modo, você percebe que há um equilíbrio ecológico em ecossistemas, o qual pode ser modificado pelos indivíduos que o compõem.

Ou seja, é uma via de mão dupla.

Alguns estudos sugerem que a inoculação de micorrizas em áreas degradadas podem favorecer a recuperação desses locais, auxiliando o estabelecimento de cobertura vegetal.

As micorrizas podem tornar as plantas mais resistentes a uma série de estresses abióticos, tornando-as mais tolerantes a metais pesados, salinidade e déficit hídrico.

A contaminação por metais pesados é um problema de difícil solução e deve ser prevenido sempre.

Porém, as micorrizas têm potencial de diminuir os efeitos negativos causados em algumas espécies de plantas ao diminuir a absorção de elementos específicos.

Pesquisadores evidenciaram que as micorrizas aumentaram a absorção de P e diminuíram a de Cd por Thlaspi praecox.

Alguns tipos de fungos micorrízicos tornam as plantas mais resistentes ao estresse por salinidade através de mecanismos que preservam a absorção de N, P e água pelas plantas

No caso de falta de água, as micorrizas melhoram a retenção dela no solo e aumentam a capacidade e eficiência das plantas em absorvê-la e buscá-la.

Micorrizas aumentam a produtividade da lavoura

Os benefícios promovidos pelas micorrizas têm um grande potencial de aumentar a produtividade sua lavoura.

Porém, após pesquisarmos sobre o tema, a pergunta que fica é a seguinte: Por que as micorrizas ainda não são utilizadas no Agronegócio de forma mais consolidada?

Por que muito tempo depois da descoberta da interação desses fungos com plantas e da comprovação dos seus benefícios, as micorrizas não são melhor aproveitadas?

Tudo indica que as micorrizas possuem um grande potencial ainda inexplorado por nós.

Enquanto as bactérias fixadoras de N já estão sendo empregadas nas lavouras e nos proporcionam maior economia, o mesmo não ocorre de forma tão clara com a micorrizas.

Somente em 2018 um produto para inoculação com fungos micorrízicos foi registrado para uso no Brasil nas culturas da soja e do milho.

Por enquanto, o melhor caminho que você pode seguir é adotar uma série de práticas de manejo que são capazes de melhorar o aproveitamento das micorrizas naturalmente existentes na sua lavoura.

Essas práticas incluem evitar a mecanização excessiva, realizar adubação conforme a necessidade e optar pelo manejo integrado de pragas e doenças.

Evitando o revolvimento frequente do solo, a atividade das micorrizas é favorecida.

Já com o uso de fertilizantes na medida certa, menores serão as chances de inibição das micorrizas.

O Manejo Integrado de Pragas e doenças, além de gerar economia, diminui a carga de defensivos que você utiliza na lavoura e que poderiam ser tóxicos para as micorrizas.

Adotando essas práticas você utilizará melhor um recurso naturalmente encontrado na sua lavoura.

Desse modo, os nutrientes aplicados no solo serão aproveitados de forma mais eficiente, aumentando a produtividade e o lucro da lavoura.

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