A produção de suínos, atualmente, representa uma atividade pecuária bem consolidada no Brasil. Desta forma, conta com uma comercialização interna em franco crescimento. Bem como, recente incremento das exportações de carne suína.

Este cenário é reflexo da tecnologia de ponta disponível em território nacional, que abrangem todas as áreas de produção de suínos:

  • Genética de altíssimo padrão.
  • Alimentação diversificada e de boa qualidade.
  • Sanidade animal.
  • Infraestrutura adequada.
  • Equipamentos modernos.

Apesar de bem estruturado, o processo produtivo de suínos tem encarecido nos últimos anos, o que reduz as margens de lucro dos pecuaristas. Apenas contabilizando alimentação, isso representa, em torno de, 70% dos custos de produção.

Parte deste incremento é fruto das flutuações do mercado de commodities, uma vez que os grãos, são componentes essenciais na alimentação dos suínos.

Sendo assim, o preço por kg de carne é determinado por diversos mecanismos, que são regulados pela balança comercial internacional.

Somente no ano de 2019, o abate de suínos aumentou 2,4% e atingiu novo recorde, chegando a 44,2 milhões de cabeças.

Além de tudo, a carne suína é a proteína animal mais consumida no mundo, seguida pela carne de frango e de gado.

Este cenário altamente animador, impulsiona a criação de suínos em todos os estados brasileiros. Entretanto, o manejo destes animais requer uma série de cuidados, que vão desde as suas instalações, alimentação e cuidados sanitários.

Infraestrutura necessária para o bem-estar dos suínos

Um dos pontos chaves para a infraestrutura de criação de suínos pontua que, as instalações onde são criados os animais não devem conter saliências ou extremidades pontiagudas. Isso evita que os animais se machuquem e, consequentemente, ocasionem prejuízos na qualidade da carne.

Além disso, é primordial que o material utilizado no piso interno das baias seja de fácil limpeza e desinfecção. Isso objetiva evitar a contaminação por doenças e auxilia no bem-estar dos suínos.

A pocilga, local onde os suínos são criados, deve proteger os animais da intemperes climáticas, ou seja, frio e calor. Estima-se que a temperatura ideal para a criação de suínos adultos, gire em torno de 10 a 25 ºC.

Pesquisas realizadas pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná indicam que, pocilgas cobertas com telha cerâmica, são as que mais se aproximam das condições ideais. Visto que, conseguem manter temperatura e umidade relativa do ar no ambiente interno.

Enquanto, pocilgas com cobertura de telha de fibrocimento, são aquelas que mais se distanciam dos valores ideais de conforto térmico, não sendo capaz de manter as temperaturas abaixo dos 27 ºC.

Por isso, dependendo do clima da região onde planeja-se instalar a pocilga, deve-se pensar inicialmente em como manter o ambiente adequado para os suínos.

O que pode contemplar por exemplo, a instalação de ventiladores e/ou umidificadores.

Para a manutenção do bem estar dos suínos, algumas medidas precisam ser adotadas, como:

  • Medidores de concentração de amônia. Os níveis não podem ser menores que 10 ppm e nem maiores do que 25 ppm.
  • A área destinada as baias dos suínos devem ter um espaço de no mínimo 1,5x a proporção ocupada quando os animais estão deitados. Isso permite que os animais se movimentem confortavelmente nas baias.

Alimentação dos suínos

Para um adequado desenvolvimento e boa produção de carcaça, os suínos precisam receber uma dieta balanceada em casa fase de crescimento. As quais podem ser dividias em:

  • Reprodução ou gestação
  • Maternidade
  • Creche
  • Terminação ou engorda

Desta forma, o ideal é que as necessidades nutricionais estejam de acordo com as Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos. Além disso, é importantíssimo frisar que a legislação brasileira proíbe a alimentação dos suínos com fontes de proteínas de origem animal, com exceção ao leite e seus derivados.

Atualmente, os principais componentes das dietas de suínos em vários países são milho, soja, cevada e/ou trigo. Entretanto, estes alimentos também fazem parte da alimentação humana, o que compromete a segurança alimentar em nível mundial.

Visando reduzir essa competição, diversos grupos de pesquisas ao redor do mundo têm buscado alternativas para a alimentação de suínos, sem o comprometimento da produção de carne e qualidade da carcaça.

Estudos conduzidos pela USP, utilizaram de 0 a 10% de feno grama seda (Cynodon dactylon) na dieta de suínos. Os resultados indicaram que, a oferta contínua de feno alterou a digestibilidade dos componentes dietéticos da ração.

Entretanto, parâmetros referentes ao desempenho animal e às características de carcaça não foram comprometidos. Fatores que potencializam a utilização deste tipo de alimento na dieta dos suínos, nas fases de crescimento e terminação.

Uma alternativa para alimentação dos suínos são as pastagens. Bioensaios realizados pelo IAPAR comprovaram que, suínos produzidos em sistemas de pastejo contínuo, alternado e rotativo consumiram de, 13,41 a 15,92% a menos de ração.

Além disso, apresentaram menores ganhos na espessura de toucinho do que aqueles criados em confinamento. Não sendo registradas diferenças significativas na conversão alimentar entre os suínos mantidos em confinamento e em pastagem.

 

Técnicas de Vendas e Marketing no Agronegócio
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Doenças mais comuns nos suínos

Devido ao aumento dos criatórios de suínos no Brasil, uma preocupação recorrente aos produtores são as doenças. Pensando isso, elencamos uma pequena lista com as principais enfermidades.

 

Coccidiose suína

De modo geral, esta doença afeta com frequência os leitões, sendo causada por um protozoário, ela causa diarreia amarela e pastosa. Além disso, manifesta-se nos primeiros dias de vida dos suínos e põe em risco toda a leitada, uma vez que, causa redução no ganho de peso destes animais.

Até o momento, a melhor maneira de prevenir a doença é utilizando-se se Baycox a 5%, em todos os leitões recém nascidos.

 

Peste Suína Clássica

A peste suína ou febre suína é ocasionada por um vírus e, atualmente, é a doença que causa os maiores prejuízos a suinocultura. Uma vez que, ainda não existem métodos eficazes de tratamento e o único modo de controlar a doença é sacrificando os animais.

Entretanto, a prevenção pode ser realizada através de:

  • Vacinação.
  • Evitar a superlotação de baias.
  • Evitar a inclusão de animais selvagens.
  • Respeitar as normas de sanidade e bem estar animal.
  • Higienização de equipamentos e das infraestruturas.

A forma de transmissão da doença é semelhante a febre aftosa nos bovinos, ou seja, ocorre através do contato direto com animais infectados. No entanto, também pode ocorrer através do contato com instrumentos, veículos, agulhas e, roupas de trabalhadores que tiveram contato com animais doentes.

Os sintomas da peste suína incluem febre alta, diarreia, manchas na pele, hemorragias, convulsões e dificuldade para locomoção.

 

Doença de Aujeszky

Esta enfermidade também é causada por um vírus, o qual fica alojado, principalmente,

nas secreções nasais e saliva dos suínos. A transmissão ocorre por meio do contato direto com animais doentes, água e/ou alimentos infectados.

Os principais sintomas dessa doença nos suínos incluem:

  • Problemas no sistema nervoso e respiratório dos animais
  • Tremores
  • Hipotermia
  • Depressão
  • Mortalidade nos leitões
  • Pelos erriçados

Uma vez que a doença for diagnosticada, é necessário que as autoridades sanitárias sejam notificadas. Além disso, todos os suínos infectados devem ser retirados do rebanho.

Raças de suínos mais adaptadas as condições brasileiras

Em função da nossa ampla distribuição territorial, diversas raças de suínos podem ser produzidas no Brasil. Cada uma, com suas peculiaridades, fator que pode determinar o sucesso das propriedades rurais.

Vamos discutir a seguir as raças de suínos mais populares no Brasil:

 

Landrace

Suínos: tudo o que você precisa saber pra iniciar sua criação

Suínos da raça Landrace, por ZeilogObra do próprio, CC BY-SA 3.0

Sem sombra de dúvida, a raça Landrace é a mais produzida no Brasil.

A sua preferência se dá em função de características como:

  • O peso dos suínos adultos pode chegar a 300 kg.
  • Atingem idade ideal para abate entre 6 e 7 meses, com aproximadamente, 80 kg.
  • As fêmeas são ótimas matrizes, devido a sua alta capacidade reprodutiva (grandes leitadas).

 

Large White

Suínos: tudo o que você precisa saber pra iniciar sua criação

Suínos da raça Large White, por Palmount45Own work, CC BY-SA 4.0

Esta raça caracteriza-se por apresentar elevado ganho de peso diário, assim como bom rendimento da carcaça. Os suínos Lage White possuem pelagem branca e são animais de grande porte.

Em função destas peculiaridades, é comum a realização de cruzamentos de machos Large White com as fêmeas Landrace, com finalidade de produção industrial.

 

Duroc

Suínos: tudo o que você precisa saber pra iniciar sua criação

Suínos da raça Duroc, por David Merrett from Daventry, England – Judging a Duroc Sow – Best in Show, CC BY 2.0

A característica predominante dos suínos Duroc é geração de banha e toucinho. Estes animais distinguem-se dos demais, principalmente, devido a sua pelagem vermelha.

Com um ano de vida, os suínos machos podem alcançar 170 kg, enquanto as fêmeas chegam aos 225 kg.

 

Pietrain

Suínos: tudo o que você precisa saber pra iniciar sua criação

Suínos da raça Pietrain, por L. MahinOwn work, CC BY-SA 3.0

De origem belga, os suínos Pietrain tem como principal finalidade a produção de carne e toucinho. Distinguem-se pela sua pelagem de cor branca com pontuações pretas, bem como o seu temperamento tranquilo e elevada fertilidade.

Além disso, os suínos Pietrain possuem melhor rendimento de carcaça que os Duroc e Ladrace. Isso se dá, pela elevada taxa de conversão alimentar e rendimento de carne.

 

Hampshire

Suínos: tudo o que você precisa saber pra iniciar sua criação

Suínos da raça Hampshire, por MamaGeek, CC BY 3.0

Os suínos adultos podem atingir os 300 kg, a sua carcaça é caracterizada como rústica e a sua carne é de boa qualidade para consumo fresca. Em relação a sua fecundidade, as fêmeas podem gestar até 9 leitões por vez.

Estes animais são facilmente distinguíveis, em função da sua coloração. Os suínos Hampshire apresentam pelos curtos e pretos, com faixas brancas nas patas dianteiras.

Perspectivas futuras para a suinocultura no Brasil

O cenário futuro para a suinocultura brasileira é bastante animador. De acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), até o ano de 2024 o setor deve crescer, aproximadamente, 21%. Além disso, a produção deve atingir 4,3 milhões de toneladas de carne.

Em termos de consumo interno, atualmente, a carne suína está em 3º lugar, atrás das carnes de frango e bovina.

O brasileiro ainda consome pouca carne suína, cerca de, 12 kg/hab/ano. Enquanto o consumo do frango é de 41,3 kg/hab/ano e o da carne bovina 25,4 kg/hab/ano.

O baixo consumo da carne suína ainda se caracteriza como o grande desafio em nível nacional para a expansão do setor.

Acredita-se que, o menor consumo deve-se aos mitos e lendas relacionados aos possíveis efeitos deletérios da carne suína sobre a saúde do consumidor.

Em nível internacional, o Brasil enquadra-se como o 4º maior produtor mundial de suínos. Fator que, associado com a elevada qualidade da carne brasileira, aumenta ano após ano as vendas e exportações.

Levando em consideração o ano de 2019, o Brasil atingiu recorde de exportação com o volume de 750,3 mil ton. Sendo, 649,38 mil ton de carne in natura e processados, atingindo um faturamento de US$ 1,6 bilhão, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Até o momento, a China é o principal importador, consumindo cerca de, 38% da carne in natura exportada pelo Brasil.

Como podemos observar, ainda há bastante espaço para o crescimento na produção de suínos em nível nacional. No entanto, são necessárias campanhas de marketing para incentivar o consumidor brasileiro a modificar o seu paladar.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) afirma que, o consumo de carne suína é seguro, além de ser um alimento rico em:

  • Proteínas de elevado valor biológico
  • Ácidos graxos monoinsaturados
  • Vitaminas do complexo B (ex: tiamina e riboflavina)
  • Ferro
  • Selênio
  • Magnésio
  • Potássio

 

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