As leguminosas fazem parte de uma família de plantas, descritas como Fabaceae. Estes indivíduos estão distribuídos por todo o mundo e representam, a terceira maior família de plantas existentes no mundo.

Sendo assim, possuem aproximadamente 750 gêneros e mais de 19 mil espécies catalogadas oficialmente. As leguminosas incluem desde plantas arbóreas até herbáceas anuais.

Na natureza, as leguminosas são facilmente distinguíveis devido ao fato de produzirem frutos do tipo legume (daí vem o nome comum da família), popularmente chamado de vagem, que abriga as sementes.

Outra característica que as separam das demais famílias de plantas, diz respeito à possibilidade de simbiose com microrganismos que possuem a capacidade de fixar o nitrogênio (N2) atmosférico no solo.

Além disso, as leguminosas são extremamente ricas em proteínas, fibras, vitaminas e minerais. O que as tornam um excelente produto para a alimentação humana e animal.

Em virtude destas características, as leguminosas podem ser utilizadas com diversas finalidades. Alguns pesquisadores considerem que, está família de plantas seja a mais importante para o agronegócio mundial.

Por isso, elaboramos uma lista com alguns dos principais exemplares de leguminosas para o Brasil e sua potencial utilização.

 

As 6 leguminosas mais importantes para o Agronegócio brasileiro

 

1. Leguminosa mais produzida no Brasil e no mundo: Soja

A soja (Glycine max) é atualmente a espécie de leguminosa mais produzida no mundo. Além disso, é um dos grãos que mais influencia o mercado de commodities em nível nacional e internacional.

Os dois maiores produtores mundial desta leguminosa são os Estados Unidos e o Brasil, ambos os países disputam safra após safra o título de maior produtor. De acordo com levantamentos da Embrapa, na safra 2018/2019, o Brasil ficou em segundo lugar:

 

1º Lugar: Estados Unidos
Produção: 123,66 milhões de toneladas
Área plantada: 35,65 milhões de hectares
Produtividade: 3,47 t ha-1

 

2º Lugar: Brasil
Produção: 114,84 milhões de toneladas
Área plantada: 35,82 milhões de hectares
Produtividade: 3,20 t ha-1

 

A soja é uma leguminosa que pode ter diversas utilizações, seja para o consumo humano e animal, até mesmo para a fabricação de biodiesel.

Atualmente, aproximadamente 79% os grãos de soja são destinados a alimentação animal, enquanto outros 18% vão para a produção de óleo.

Nas últimas duas décadas, ocorreu um aumento significativo na produção de soja no Brasil, especialistas do setor atribuem isso, a elevação da taxa de utilização das cultivares transgênicas.

De acordo com o Conselho de Informação sobre Biotecnologia (CIB), cerca de 96,5% da área cultivada com a leguminosa no Brasil possui materiais transgênicos.

Considerando o ano de aprovação da primeira cultivar transgênica, como 1998, de lá para cá a produção cresceu cerca de 300%, ao passo que a área plantada aumentou em apenas 170%.

As últimas estimativas levantadas pelo USDA (Ministério da Agricultura dos Estados Unidos), apontam para uma leve mudança na produção mundial de soja para a safra 2019/2020.

O Brasil deve passar a ser o maior produtor mundial da leguminosa nesta safra, com uma produção de 127,6 milhões de toneladas, enquanto Estados Unidos devam produzir, cerca de 111,49 milhões de toneladas.

Esta alteração acorre devido as previsões climáticas para a safra 2019/2020 nos Estados Unidos, que não devem beneficiar a produção da leguminosa.

 

As 6 leguminosas mais importantes para o Agronegócio brasileiro

 

2. Leguminosa mais consumida no Brasil: Feijão

O feijão é uma leguminosa que está presente quase que diariamente no prato de qualquer brasileiro. Desta forma, o feijão pode ser considerado um dos alimentos mais populares em nível nacional, além de ser a principal fonte proteína vegetal.

De acordo com o tipo do feijão, o teor de proteína dos grãos varia de, 20 a 33%.

Atualmente, a média de consumo brasileiro situa-se em torno de 17 kg/habitante/ano, bem acima da média mundial.

Por isso, o Brasil se destaca não só como o maior consumidor mundial, mas também como o maior produtor. Entretanto, os hábitos de consumo deste grão variam conforme a região brasileira.

O principal tipo produzido é o famoso “carioca” (Phaseolus vulgaris), que tem ampla aceitação nacional. Nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, os consumidores preferem o feijão do tipo preto. Enquanto, no Nordeste o feijão de corda (Vigna unguiculata) é o mais consumido.

Apesar disso, esta leguminosa tem pouca importância em nível internacional e representam menos de 1% dos grãos consumidos no mundo.

O cultivo desta leguminosa é realizado em três safras anuais, onde cada uma, representa cerda de 33% da produção nacional. Sendo elas distribuídas em:

  • Safra das águas: semeada de agosto e dezembro, sendo praticada, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste.
  • Safra da seca: a semeadura ocorre de janeiro e julho, sendo distribuída em todos os estados. Contudo, tem produção concentrada no Nordeste, que representa, cerca de, 50% da produção desta safra.
  • Safra de inverno: pode ser realizada em condições de sequeiro ou sob irrigação. A semeadura ocorre de maio a agosto e, está concentrada nos estados do Sudeste.

 

Técnicas de Vendas e Marketing no Agronegócio
Técnicas de Vendas e Marketing no Agronegócio

 

 

As 6 leguminosas mais importantes para o Agronegócio brasileiro

 

3. Leguminosa para melhoria do solo: Crotalária

A crotalária é uma leguminosa subarbustiva, amplamente utilizada na agricultura moderna. O seu emprego remete a duas características essenciais:

Esta leguminosa tem origem na Índia e Ásia tropical, podendo atingir de 2 a 3 m de altura. A crotalária é uma planta anual de rápido desenvolvimento, além de tudo, tem propriedades alelopáticas que auxiliam, inclusive, no manejo de plantas daninhas.

Por ser uma planta originária de climas tropical e subtropical, ela não tolera geadas, por isso o seu cultivo deve ser restrito ao verão.

O consorcio de crotalária com outras culturas também pode ser uma alternativa interessante. Pesquisa recentes tem demonstrado que a associação desta leguminosa contribuiu significativamente para a produtividade de híbridos de sorgo forrageiro.

Enquanto o monocultivo de sorgo produziu apenas 1,3 t ha-1, o consórcio com a crotalária possibilitou uma produção de quase 3 t ha-1.

Diversas espécies de crotalária podem ser cultivadas no Brasil, algumas são importantes aliadas no manejo de nematoides na cultura da soja.

Importantes resultados de estudos realizados no Estado de Mato Grosso demonstraram que a rotação com Crotalaria spectabilis, C. ochroleuca e C. breviflora proporcionaram grande redução da densidade populacional dos nematoides, quando comparados ao monocultivo da soja e rotação como milho.

Além disso, foi possível observar reflexos positivos na produtividade da soja subsequente, que produziu de 2 a 3x mais do que o cultivo monocultivo.

Resultados semelhantes também foram verificados para o milho consorciado com a crotalária para os teores de nitrogênio. Onde ficou comprovado que, a produção e acúmulo de nitrogênio da palhada foi superior ao cultivo solteiro.

 

As 6 leguminosas mais importantes para o Agronegócio brasileiro

 

4. Leguminosa para alimentação animal: Estilosantes

O estilosantes (Stylosanthes spp.) é uma leguminosa forrageira que desempenha papel importante na pecuária nacional. Os produtores de gado bovino as utilizam, preferencialmente, de três maneiras:

  • Pastagem isolada de estilosantes;
  • Pastagem consorciada de estilosantes + gramíneas; e
  • Feno

De modo geral, os estilosantes produzem uma elevada quantidade de sementes, que varia de 200 a 400 kg ha-1. Fator que permite a ocorrência de ressemeadura natural, contribuindo para a persistência da pastagem.

No consórcio com as gramíneas, os estilosantes preenchem os espaços vazios que não cobertos pela gramínea. Desta forma, proporcionam uma ótima cobertura do solo, evitando o surgimento de plantas daninhas.

O objetivo da associação de leguminosas com as gramíneas visa o aumento no teor de proteína bruta ingerida pelos animais. Indiretamente, o estilosantes também influenciam características produtivas, bromatológicas, químicas do solo e no estado nutricional das forrageiras.

Atualmente, as cultivares de maior utilização no Brasil são cv. Campo Grande e cv. Mineirão.

Na condição de monocultivo, esta leguminosa pode atingir de 8 a 14 t ha-1. Enquanto, no consórcio com gramíneas, a sua produção varia de 3 a 6 t ha-1 ao ano.

Diversos estudos ainda tem demonstrado o potencial de utilização desta leguminosa na forma de feno. O alimento resultante, possui elevada qualidade nutricional e boa palatabilidade.

O feno de estilosantes pode ser utilizado como substituto ao farelo de soja em alguns casos. Como por exemplo, na produção de cabras em lactação, pois não compromete a produção ou composição do leite. Além de tudo, atente sem prejuízos as exigências proteicas de uma alimentação balanceada.

 

As 6 leguminosas mais importantes para o Agronegócio brasileiro

 

5. Leguminosa para o reflorestamento: Acácia

Leguminosas do gênero Acacia spp. representam, aproximadamente, 2 milhões de hectares plantados em todo o mundo. Esta espécie arbórea tem papel fundamental sob o ponto de vista social e industrial no reflorestamento.

As espécies Acacia mangium, A. auriculiformis e A. mearnsii são as mais plantadas atualmente. Sendo as suas produções destinadas, principalmente, a indústria de celulose e de comércio madeireiro.

A A. mangium é popularmente conhecida como Acácia Australiana ou Black Watel. Em termos mundiais, esta leguminosa representa, cerca de, 1/3 de todas as espécies florestais plantadas.

Nos últimos anos, a acácia despertou bastante interesse de instituições públicas e privadas, que buscam a diversificação das suas produções. Como principais vantagens, esta leguminosa tem boa rusticidade, rápido crescimento e, principalmente, atua como fixadora de nitrogênio, fortalecendo os solos florestais.

Fatores que nos remetem a outro benefício, que é o seu potencial de utilização na recuperação de áreas degradadas. As acácias podem ser cultivadas em diversas regiões brasileiras, inclusive, em solos de baixa fertilidade e com pH ácido, produzindo elevada quantidade de madeira com baixa acumulação de nutrientes.

A acácia negra, mais especificamente, é amplamente cultivada no Rio Grande do Sul. Elas podem ser associadas também a sistemas agroflorestais, pois atuam como plantas pioneiras, em função do seu rápido desenvolvimento.

No Brasil, o primeiro corte pode ocorrer de 5 a 10 anos após o plantio da leguminosa.

 

As 6 leguminosas mais importantes para o Agronegócio brasileiro

 

6. Leguminosa resistente a seca: Gliricídia

A produção de pasto para os animais é um desafio para as regiões do semiárido brasileiro. Em função da baixa disponibilidade de chuvas, a produção e manutenção de áreas de pastagens é um problema recorrente em áreas de sequeiro.

Neste sentido, a leguminosa gliricídia tem despontado como uma excelente alternativa para a produção de pastos no período das chuvas. Bem como, para a produção de feno e silagem para os períodos de seca severa e/ou baixa disponibilidade de alimento.

A espécie mais conhecida é a Gliricidia sepium, sendo esta uma planta de porte arbóreo. Caracterizada pela sua boa resistência à seca e boa adaptação para a região nordeste do Brasil.

O cultivo de gliricídia tem ganhado cada vez mais adeptos. Principalmente, em pequenas propriedades rurais, onde atua em diversas frentes. Como por exemplo forragem na alimentação animal, adubo verde, árvore de sombra, redução da erosão e recuperadora de solos em sistemas agroflorestais.

Contudo, a principal vantagem da gliricídia com relação à outras plantas ricas em proteína, como a leucena, é a facilidade com que pode ser estabelecida mesmo em condições de seca.

Em outras palavras, esta leguminosa pode ser propagada tanto por mudas, como também diretamente via sementes e estaquia. Fatores que estimulam a aceitação dos pecuaristas nordestinos.

Estudos variados têm demonstrado a capacidade desta leguminosa de resistir até 8 meses de seca. Esta característica, provavelmente, é potencializada devido ao seu profundo e bem desenvolvido sistema radicular.

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