O Brasil está entre os dez países que mais utilizam transgênicos nas culturas agrícolas no mundo, de acordo com levantamentos do Centro de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

Desde 2009, nosso país ocupa o lugar de 2º maior produtor de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos.

Ao longo das últimas duas décadas, a produção agrícola brasileira cresceu cerca de 207%, enquanto a área cultivada aumentou apenas 57%.

Isso significa um grande salto em termos de produtividade.

Boa parte deste incremento produtivo se deve à biotecnologia, particularmente, aos transgênicos, que foram fundamentais para o aumento no desempenho produtivo das lavouras brasileiras.

Os transgênicos simplificaram não só o manejo de insetos, como também o controle de plantas daninhas e de algumas doenças.

A sua utilização proporcionou um aumento na produção agrícola e permitiu a otimização do uso de defensivos.

Mais recentemente, possibilitou o desenvolvimento de plantas tolerantes a estresses abióticos, como o estresse hídrico causado pela seca.

A partir do início da aprovação no Brasil, os transgênicos tiveram rápida adoção no campo.

As espécies agrícolas com eventos de transgenia permitidas em território nacional são: soja, milho, algodão, feijão, eucalipto e cana-de-açúcar.

A primeira aprovação pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) ocorreu no ano de 1998, para a cultura da soja.

Este evento transgênico ficou mundialmente conhecido e se caracteriza pela tolerância das plantas aos herbicidas registrados para a aplicação, em pós-emergência, que contenham como ingrediente ativo o glifosato.

A molécula do herbicida glifosato atua na planta através do bloqueio de uma enzima chamada de 5-enolpiruvato-chiquimato-3-fosfato sintase ou, simplesmente, EPSPS, que faz parte da via de biossíntese de aminoácidos essenciais para o desenvolvimento da planta.

Quando a enzima EPSPS é bloqueada, a sua via metabólica é interrompida e, portanto, devido à falta de aminoácidos, a planta seca e morre.

No caso das plantas transgênicas que contém o transgene epsps derivado da bactéria Agrobacterium tumefaciens, o glifosato não consegue bloqueá-la.

Sendo assim, a via metabólica dos aminoácidos não é interrompida e as plantas de soja desenvolvem-se normalmente.

O que são transgênicos?

Os transgênicos são fruto da evolução das técnicas de melhoramento genético de plantas. Esta tecnologia permite que características de interesse agrícola sejam compartilhadas entre diferentes espécies.

De modo geral,

os transgênicos são plantas que foram geneticamente modificadas e que receberam a inserção, em seu genoma, de um ou mais genes provenientes de um outro organismo.

Estas alterações genéticas só são possíveis através de técnicas avançadas de biotecnologia, como por exemplo:

  • Transformação genética mediada por Agrobacterium.
  • Biobalística.
  • Agroinfiltração.
  • Mutagênese oligo-dirigida, etc.

Cada gene possui uma codificação genética única, que é responsável por definir o fenótipo de um organismo, como: formato da folha, tamanho de uma planta, número de pétalas de uma flor, cor dos olhos, tamanho das asas, resistência a insetos, etc.

Quando uma planta de determinada espécie recebe um gene doado por um organismo de outra espécie através de técnicas de biotecnologia, está planta pode ser considerada um transgênico.

Para entender melhor, vamos exemplificar.

A situação demostrada abaixo é um caso hipotético criado para demonstrar como os transgênicos são desenvolvidos no Brasil.

 

“Hipoteticamente, sabe-se que a cultivar de soja “Max Yield” é uma das mais produtivas do mercado, entretanto, ela é altamente suscetível a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis).

Para lidar com esse tipo de situação, a empresa detentora dos direitos da cultivar “Max Yield”, decide inserir um gene inseticida oriundo de Bacillus thuringiensis (Bt) no genoma da soja.

Através de técnicas de biotecnologia, foi possível inserir um gene Bt no genoma da cultivar “Max Yield”, a qual passou a se “Max Yield Insect”.

Após 10 anos de pesquisa intensivas e diversos relatórios, a CTNBio aprovou o pedido para a liberação deste evento transgênico. Agora, a cultivar “Max Yield Insect” é um transgênico de soja resistente as lagartas A. gemmatalis permitido para consumo e comércio no Brasil”.

 

No Brasil, o foco principal dos transgênicos é tornar as plantas resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas.

A legislação brasileira para o desenvolvimento de transgênicos, estabelece que são necessários cerca de 10 anos de pesquisa até que um evento transgênico seja liberado para consumo.

A lei nº 11.105 de 2005 regulamenta as atividades relacionadas aos transgênicos. Atualmente, a legislação brasileira de biossegurança é considerada uma das mais rígidas em todo o mundo.

Técnicas de Vendas e Marketing no Agronegócio
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Tipos de transgênicos permitidos no Brasil

Agora que você já entendeu o que é um transgênico e como ocorre a sua aprovação no Brasil, vamos exemplificar os casos de transgenia permitidos em território nacional.

Atualmente, a CTNBio aprovou diversos eventos transgênicos no Brasil, os quais se referem a:

  • Resistência a insetos
  • Tolerância a herbicidas
  • Resistência a doenças
  • Aumento volumétrico de madeira
  • Aumento de termoestabilidade de amilase
  • Tolerância a estresse de seca
  • Restauração de fertilidade para produção de sementes (macho-estéril).

 

Resistência a insetos

A geração de plantas transgênicas resistentes a insetos só foi possível devido a bactéria B. thuringiensis, que produz naturalmente proteínas inseticidas.

Estas proteínas são popularmente conhecidas como Cry ou proteína cristal. Atualmente, existem cerca de 20 proteínas Cry presentes em eventos transgênicos de diversas espécies no Brasil.

Quando um ou mais genes responsáveis por codificar as proteínas Cry são inseridos no genoma das plantas, estas tornam-se resistentes a insetos das ordens coleóptera ou lepidóptera.

 

Tolerância a herbicidas

No mercado brasileiro é possível encontrar plantas transgênicas com tolerância a diversos herbicidas, como:

  • 2,4-D
  • haloxifop
  • glifosato
  • imidazolinonas
  • dicamba
  • Glufosinato de amônio.
  • isoxaflutole

Entretanto, neste caso, o organismo doador da tolerância e/ou a técnica utilizada para a obtenção da planta transgênica, varia de acordo com a tolerância ao herbicida.

 

Resistência a doenças

No Brasil, existe apenas um evento transgênico de resistência a doenças. Este evento é registrado para o feijão resistente ao vírus do mosaico-dourado.

 

Aumento volumétrico de madeira

Este evento transgênico é registrado para o eucalipto, onde o aumento volumétrico foi possível a partir da inserção do gene cel1. cel1 permite o aumento da velocidade de crescimento do eucalipto.

 

Aumento de termoestabilidade de amilase

Atualmente, o milho transgênico Enogen™ é o único caso liberado no Brasil. Entretanto, a sua aprovação diz respeito apenas ao consumo humano e animal, não tendo sido aprovado para plantio no Brasil.

Este evento transgênico permite uma quebra mais rápida dos carboidratos do milho destinado a produção de etanol.

 

Tolerância ao estresse por déficit hídrico

Este evento transgênico também é condicionado por uma bactéria (Bacillus subtilis), que ocorre naturalmente no meio ambiente.

Existe apenas um caso, que foi registrado para a cultura do milho. A transgenia foi obtida através da inserção do gene cspB, oriundo de B. subtilis no genoma do milho.

 

Restauração de fertilidade para produção de sementes (macho-estéril)

Este evento de transgenia foi desenvolvido com o objetivo de facilitar o desenvolvimento de sementes de milho híbrido em escala comercial.

Cenário atual no Brasil

No último levantamento divulgado pela CTNBio, haviam cerca de 85 eventos transgênicos aprovados para uso no Brasil, os quais se relacionam, principalmente, a tolerância a herbicidas, resistência a insetos e, principalmente, a combinação desses eventos em uma única planta.

Até o momento, existem cerca de 17 eventos transgênicos registrados na CTNBio apenas para a cultura da soja, o que corresponde a, aproximadamente, 20% dos registros (FIGURA 2).

Dentre eles, os principais registros da cultura da soja relacionam-se a tolerância a herbicidas e resistência a insetos, sendo os eventos de tolerância relacionados, principalmente, aos herbicidas: glifosato, dicamba, 2,4D, glufosinato de amônio e a família das imidazolinonas.

Já a resistência a insetos é oriunda, majoritariamente, de proteínas cristais, produzidas naturalmente por B. thuringiensis, principalmente: Cry1Ac, Cry1F, Cry1A.105, Cry2Ab e Cry2Ab2.

Para o algodão são registrados cerca de 20 eventos, ou seja, é a segunda cultura com maior número de transgênicos no Brasil, correspondendo a, aproximadamente, 24% dos eventos, que incluem as características, tolerância a herbicidas e resistência a insetos.

O milho é a cultura campeã em registros transgênicos no Brasil, ao todo são cerca de 45 eventos, o que corresponde a mais da metade (52%) dos registros.

Além das proteínas Cry citadas a cima, o milho possui uma nova tecnologia no controle de insetos.

As proteínas Vip (do ingês, Vegetative Insecticidal Proteins), as quais também são oriundas de B. thuringiensis. Entretanto são aliadas no controle das pragas insensíveis ou resistentes às proteínas Cry, já que atuam em diferentes receptores no organismo dos insetos.

Dos 45 eventos registrados para a cultura do milho, 27 são transgênicos com dupla função de tolerância a herbicidas e resistência a insetos ao mesmo tempo.

É seguro consumir alimentos transgênicos?

Os alimentos transgênicos fazem parte do nosso dia-a-dia mais do que nós imaginamos.

Para identificar um alimento que foi preparado com matéria-prima a partir de algum evento de transgenia, deve-se atentar ao símbolo abaixo:

 

Aviso nas embalagens de produtos produzidos com materiais transgênicos

 

Este símbolo deve estar estampado nas embalagens dos alimentos destinados ao consumo humano e animal, e sua utilização é obrigatória desde a promulgação da Lei nº 11.105/2005.

Desde de 2005, a legislação brasileira determina a obrigatoriedade das empresas alimentícias na indicação da utilização ou não de matéria-prima derivada de transgênicos.

Sendo assim, é um direito do consumidor saber o que está comendo.

Boa parte dos alimentos processados que consumimos, contém pelo menos um ingrediente oriundo de culturas como soja e/ou milho em sua composição.

No Brasil, o cultivo de soja e de milho é realizado principalmente com materiais transgênicos.

Portanto, é bem provável que você já tenha consumido algum alimento processado com ingredientes transgênicos hoje.

Os alimentos transgênicos possuem a mesma cor, a mesma textura e a mesma quantidade de nutrientes do que os alimentos não-transgênicos.

Sendo assim, a olho nu é impossível distingui-los, pois a única diferença entre eles está no seu código genético (genoma), mais especificamente, no gene que foi inserido, com o objetivo de fornecer alguma característica agronômica de interesse.

A comunidade científica do mundo todo assume que é um mito o fato de que os alimentos transgênicos fazem mal à saúde.

Até agora, não há provas concretas de que a ingestão de alimentos transgênicos cause algum tipo de malefício a saúde humana, animal e ao ambiente.

Como vimos anteriormente, são necessários, no mínimo, 10 anos de estudos rigorosos para a aprovação de um transgênico.

Estes estudos dizem respeito, entre outras coisas, a segurança alimentar relacionada a ingestão de alimentos transgênicos ou de seus derivados.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os alimentos transgênicos apresentam os mesmos riscos à saúde humana do que suas versões não-transgênicas ou convencionais.

Benefícios para a agricultura

A utilização das culturas transgênicas na agricultura proporciona uma série de benefícios, que vão muito além do lado financeiro, como por exemplo:

  • Menores perdas por ataque de pragas
  • Menor competitividade com plantas daninhas
  • Racionalização do uso de insumos
  • Redução do uso de inseticidas
  • Aumento de produtividade, etc.

Se há maior produtividade, isso significa que mais alimentos estão disponíveis, sendo assim, há uma menor preocupação ambiental, pois não é necessário a abertura de novas áreas para plantio.

Os transgênicos mais utilizados no Brasil para a agricultura se baseiam na tolerância a herbicidas e resistência a insetos.

Por isso, esta tecnologia auxilia o produtor no manejo de pragas e de plantas daninhas, além de reduzir o uso indiscriminado de defensivos químicos e a poluição ambiental atrelada a eles.

Utilizando-se menos insumos, os transgênicos permitem que o produtor rural gaste menos água para diluir os defensivos e utilize menos combustível para a sua aplicação, o que consequentemente promoverá uma redução na compactação do solo, pois haverá menor tráfego de máquinas agrícolas na lavoura.

A partir da utilização de grandes culturas, como soja, milho e algodão, com tolerância à herbicidas, foi possível o fortalecimento da prática de plantio direto.

Este sistema, baseia-se na manutenção de uma cobertura morta com resíduos vegetais, reduzindo a quase zero, a necessidade de mobilização no solo da lavoura.

O Sistema de Plantio Direto está em fase de consolidação no Brasil, e ao proporcionar a manutenção da qualidade física e química do solo se torna um forte aliado na redução das taxas de erosão de solo.

Em um futuro não tão distante, a transgenia tende a evoluir para o desenvolvimento de alimentos com melhor composição nutricional. Além de plantas com capacidade para produzir biocompostos úteis com utilização na medicina.

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