Não é nenhuma novidade que a comida mais comum na mesa dos brasileiros seja o famoso “feijão com arroz”.

No entanto, você sabe que tipo de feijão você consome?

Feijão carioca ou feijão de corda?

Esses são os dois tipos de feijão mais preferidos nacionalmente, mas o feijão carioca ou feijão carioquinha é o tipo mais consumido.

O feijão carioca pertence a espécie Phaseolus vulgaris L., sendo está uma cultura que ocupa posição de destaque no cenário agrícola nacional.

No Brasil, o feijão carioca é cultivado em todo o território nacional, com diferentes épocas de plantio, dependendo do local.

Estimativas da CONAB para a safra de 2019/20 indicam uma área plantada de 1,3 milhões de hectares e uma produção de 1,9 milhões de toneladas de feijão carioca, enquanto a produtividade é de, aproximadamente, 1,5 t ha-1.

Apesar da produtividade do feijão carioca ter sofrido um incremento nos últimos anos. A média nacional ainda é relativamente baixa, uma vez que, estudos comprovam que o feijão carioca pode alcançar até 4,5 t ha-1.

O motivo para a baixa média produtiva é reflexo dos diferentes níveis de tecnologia empregados nas regiões produtoras. Diferentemente de culturas como a soja e o milho, que recebem aporte tecnológico de ponta a cada safra.

Por isso, diversas instituições de pesquisas investem em avanços tecnológicos para melhorar a média produtiva do Brasil. Neste caso, boa parte dos investimentos referem-se a questões como:

Desta forma, melhorias para a produtividade e qualidade do feijão carioca só serão possíveis, quando os agricultores e profissionais do agronegócio compreenderem todas as características de manejo e tecnologias disponíveis para a cultura.

Características do feijão carioca

O feijão carioca é uma cultura de porte herbáceo, pertencente à família Fabaceae, a qual compreende as leguminosas.

A espécie Phaseolus vulgaris é originária das Américas Central e do Sul, fator que nos leva a possuir uma grande variedade de cores, formatos e tamanho de grãos de feijão carioca.

São estas características visuais que determinam, na maioria das vezes, a preferência do mercado consumidor. Bem como, as atuais classes comerciais de feijão carioca.

De modo geral, podemos dizer que o feijão carioca apresenta formato arredondado e coloração bege com listras marrons.

Devido à variedade de cores existentes, a Instrução Normativa Nº 12/2008 alterou algumas normas para a classes do feijão.

Sendo assim, o feijão carioca faz parte do Grupo I, que o classifica de acordo com a coloração do tegumento (película) do grão:

  • Branco: contém, no mínimo, 97% de grãos de coloração branca.
  • Preto: contém, no mínimo, 97% de grãos de coloração preta.
  • Cores: representa grãos da mesma coloração, admitindo-se, no máximo, 3% de mistura de outras classes e de 10% de mistura de outras cultivares da classe cores, desde que apresente cores contrastantes ou tamanhos diferentes.
  • Misturado: refere-se ao feijão que não atende às especificações de nenhuma das classes anteriores.

O feijão carioca apresenta um ciclo vegetativo com duração que varia de 75 a 110 dias. Essa diferença de dias ocorre devido ao local e época do ano em que a planta é cultivada. Sendo o seu plantio, distribuído ao longo do ano.

Podemos considerar que, as variedades de feijão carioca apresentam em média um ciclo de 90 dias, enquanto as variedades mais precoces, em torno de 75 dias.

Visando possibilitar uma vantagem competitiva aos produtores, frente adversidades climáticas, a Embrapa desenvolveu uma cultivar de ciclo superprecoce com ciclo inferior a 65 dias.

Perfil de consumo do feijão comum

No mercado brasileiro existem inúmeras variedades de feijão, sendo a preferência regional determinada pelo tipo de grão. O feijão carioca é o mais cultivado no Brasil, representando 70% do consumo nacional e 53% da área cultivada.

De acordo com levantamentos da CONAB, o consumo de feijão tem diminuído nos últimos anos. Sendo o consumo médio per capita de, aproximadamente, 14,5 kg habitante-1 ano-1.

Além disso, levantamentos da Embrapa estimam que, cerca de, 63% das pessoas consomem feijão carioca no almoço e, 34% no almoço e no jantar.

Dos entrevistados, 44% afirmam consumir feijão comum todos os dias. Sendo a preferência de quase 94% dessas pessoas o consumo na forma de feijão cozido com caldo.

Em relação a preferência na hora de comprar o feijão carioca quanto à cor, a pesquisa revelou que:

  • 75% dos entrevistados preferem grãos claros.
  • 12,5% preferem grãos de coloração marrom.
  • 3,1% grãos de coloração amarelada ou avermelhada.
  • 9,4% responderam que tanto faz.

Estes resultados indicam uma forte tendência para os grãos de feijão carioca mais claros em função de serem:

  • Mais fresco.
  • Cozinhar mais rápido.
  • Apresentarem maior maciez.
  • Resultarem em um caldo mais grosso e saboroso.

 

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Melhoramento genético do feijoeiro

Dentre os fatores que podem contribuir para o incremento da produtividade do feijão comum, destaca-se o melhoramento genético como o principal meio para a obtenção de genótipos superiores.

Estima-se que, aproximadamente, 50% do aumento do potencial produtivo das principais espécies cultivadas seja devido ao melhoramento genético

Para o feijão carioca, entretanto, a produtividade não é o único fator preponderante nos programas de melhoramento genético.

Uma vez que, além da alta produtividade, busca-se também resistência às doenças e grãos com características aceitáveis pelo mercado consumidos, como tamanho, cor e brilho.

Além disso, os grãos de feijão carioca devem possuir características culinárias e nutricionais desejáveis:

  • Facilidade de cocção.
  • Maior palatabilidade.
  • Tegumento do grão com textura macia.
  • Potencial para produzir caldo claro e denso após o cozimento.
  • Elevado teor de proteínas e minerais.

Nos últimos anos, importantes avanços foram realizados pelas instituições de melhoramento genético de feijão carioca. Com destaque para a aprovação da primeira cultivar de feijão transgênica, aprovada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) no ano de 2011.

História do feijão carioca transgênico

Uma das razões para a estagnação da produtividade nacional do feijão carioca ocorre em virtude dos diversos problemas fitossanitários da cultura.

No Brasil, estima-se que existam, cerca de, 200.000 ha inviáveis para o cultivo do feijão carioca na safra da seca ou segunda safra. Isso se dá, em virtude da elevada ocorrência da mosca-branca (Bemisia tabaci).

Como reflexo, ocorre um prejuízo de quase 300 mil toneladas de feijão por safra.

Em termos técnicos, isso representa o suficiente para o consumo de 6 a 15 milhões de pessoas.

No feijão carioca, o principal dano da mosca-branca refere-se a sua atuação como vetor da doença, popularmente conhecida como, virose do mosaico dourado.

Essa doença recebe essa designação porque causa um sintoma amarelado nas folhas. O qual é delimitado por uma coloração verde, e resulta em um mosaico verde-amarelo.

A transmissão do vírus do mosaico dourado no feijão comum ocorre no momento em que ninfas de moscas-branca alimentam-se da seiva da planta.

No feijão carioca, o vírus do mosaico causa rugosidade e encarquilhamento nas folhas, nanismo e super brotamento, além de outras características que afetam a sanidade do grão.

Estes sintomas reduzem o seu valor de mercado e provocam danos que podem variar de 40 a 100% da produção.

Devido aos prejuízos ocasionados pela mosca-branca e a virose do mosaico dourado, pesquisadores da Embrapa desenvolveram um genótipo transgênico com resistência a está doença.

O primeiro feijão carioca transgênico foi intitulado feijão Resistente ao vírus do Mosaico Dourado (RMD), que teve a sua aprovação para comercialização em 2011, no entanto, somente chegou ao mercado brasileiro em 2016.

Este genótipo transgênico foi desenvolvido a partir da tecnologia de RNA de interferência, utilizando como organismo doador do material genético a planta Arabidopsis thaliana.

Cultivar transgênica disponível no mercado

A cultivar BRS FC401 RMD foi a primeira cultivar geneticamente modificada de feijão carioca desenvolvida no mundo. Além de tudo, é a única já registrada e protegida no Brasil como efetivamente resistente (imune) ao vírus do mosaico dourado.

Esta cultivar também é um marco para a pesquisa científica no Brasil, pois se trata da primeira cultivar geneticamente modificada inteiramente desenvolvida por uma instituição pública.

Devido a estes e outros aspectos, a BRS FC401 RMD caracteriza-se como uma inovação tecnológica de alto impacto para os produtores de feijão carioca no país. Uma vez que, se torna um forte aliado para manejo integrado das viroses transmitidas pela mosca-branca.

O transgene responsável pela resistência do feijão carioca ao mosaico dourado está presente no evento Embrapa 5.1, oriundo da planta modelo Arabidopsis.

Para validar a efetividade desta nova cultivar de feijão comum realizaram-se 31 ensaios de VCU (Valor de Cultivo e Uso) durante os anos de 2012 a 2014 nas safras:

  • Das águas: Goiás, Distrito Federal e Paraná.
  • Seca: Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina.
  • Inverno: Goiás e Distrito Federal.

Nestes ensaios, o feijão carioca transgênico apresentou quase 15% de superioridade produtividade de grãos, quando comparado às cultivares testemunhas Pérola, BRS Pontal e IPR Eldorado.

Isso quer dizer que, a produtividade média da cv. BRS FC401 RMD foi de 2,15 t ha-1, ao passo que as testemunhas apresentaram 1,87 t ha-1.

Para mensurar o potencial produtivo deste feijão carioca, os pesquisadores consideraram as 5 maiores médias.

Desta forma, estabeleceu-se que o potencial produtivo desta cultivar é de cerca de 3,57 t ha-1.

Além disso, as pesquisas indicam que a presença do gene transgênico não causou penalidades na produção. Bem pelo contrário, proporcionou uma maior estabilidade produtiva, em função da resistência ao mosaico dourado.

Herbicidas para antecipação da colheita do feijão carioca

Para o feijão carioca, o momento ideal para se efetuar a colheita para consumo é após a maturação fisiológica, quando o vigor, a germinação e o peso da matéria seca estão elevados.

Uma das alternativas para melhorar o desempenho da colheita mecanizada do feijão carioca é a utilização de herbicidas dessecantes na pré-colheita. Contudo, diversos estudos têm comprovado que essa prática altera a qualidade das sementes (germinação e vigor).

A dessecação tem por finalidade alcançar uma rápida e uniforme secagem de todas as partes da planta, o que facilita o processo de colheitas mecanizadas.

Estudos realizados pela Universidade Estadual de Goiás utilizando Etephon como herbicida na dose de 600 g ha-1 ressaltam que o produto:

  • Foi eficiente na desfolha das plantas, independente da época de aplicação.
  • Aplicação no estádio R9 promoveu a antecipação da colheita do feijão em, aproximadamente, uma semana.
  • Nestas condições não houve comprometimento do rendimento do feijão comum.

Entretanto, alguns ingredientes ativos causam características deletérias aos grãos de feijão carioca, como por exemplo:

  • Glyphosate: altera negativamente o vigor das sementes.
  • Paraquat: impacta reduzindo a germinação.
  • Glufosinato de amônio: afeta de forma negativa a qualidade das sementes.

Desta forma, antes de partir para uma dessecação com o objetivo de antecipar a colheita, o ideal é que os agricultores e/ou profissionais se atentem as restrições de utilização de cada produto, bem como as dosagens recomendadas e momento ideal para a sua utilização.

 

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