Os herbicidas são produtos de origem química, que quando aplicados em baixas concentrações possuem a capacidade para controlar o desenvolvimento e crescimento de determinados grupos de plantas.

O histórico de desenvolvimento dos herbicidas tem como marco principal, a descoberta do ácido 2,4-diclorofenoxiacético, ou simplesmente, o 2,4-D, que ocorreu em meados do ano de 1940.

Durante a época da 2ª Guerra Mundial, os atributos dos compostos provenientes dos ácidos fenoxiacéticos foram anunciadas.

Entretanto, foi somente depois da guerra que o herbicida 2,4-D ganhou destaque como um produto de ação diferenciada sobre determinadas famílias de plantas.

Anos após a descoberta do 2,4-D, foi desenvolvido o primeiro herbicida não derivado dos ácidos fenóxicos, chamado então de monuron.

Desta forma, resumidamente pode-se dizer que:

Os herbicidas são produtos químicos utilizados com o objetivo de reduzir a interferência de plantas daninhas (plantas indesejadas) ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura principal.

O manejo das plantas daninhas deve iniciar junto ao estabelecimento da cultura principal, ou seja, antes ou depois da sua emergência. Sendo este, o período em que as plantas daninhas ocasionam os maiores danos às culturas.

Atualmente, os herbicidas são importantes aliados da agricultura moderna, principalmente, quando é adotado o sistema de plantio direto, o qual é bastante difundido no Brasil.

Os herbicidas ganham espaço devido a flexibilidade e facilidade de aplicação, especialmente, em grandes áreas de monocultura, onde objetiva-se o controle de plantas daninhas ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento da cultura, podendo serem realizadas aplicações em diversos momentos durante a safra.

Entretanto, devido à grande variedade de produtos comerciais disponíveis no mercado, torna-se praticamente impossível um conhecimento aprofundado sobre cada um deles.

Por isso, nós elaboramos este guia, com o objetivo de simplificar o entendimento sobre os herbicidas.

Classificação dos herbicidas

Atualmente, os herbicidas podem ser agrupados de diversas maneiras, que variam conforme variados aspectos, tais como:

  • Seletividade
  • Translocação
  • Época de aplicação
  • Mecanismo de ação

A seletividade leva em consideração os grupos de plantas sobre os quais determinado herbicida tem ação, podendo ser divididos em:

  • Herbicidas seletivos: tem ação no crescimento de plantas daninhas específicas, sem, contudo, afetar as plantas de interesse agronômico. Por exemplo, os herbicidas trifluralina e fluazifop apresentam seletividade apenas para as gramíneas.
  • Herbicidas não seletivos: apresentam um amplo espectro de ação, ou seja, tem atividade sobre diversos grupos de plantas daninhas, desde que aplicados nas concentrações recomendadas. Por exemplo, os herbicidas glifosato e sulfosato, são recomendados para a dessecação de plantas daninhas em lavouras de semeadura direta.

A translocação leva em consideração duas classificações:

  • Herbicidas sistêmicos: possuem capacidade para se distribuir sistemicamente dentro das plantas, ou seja, causam danos em locais distantes do seu ponto de absorção. São exemplos: 2,4-D e glisosato.
  • Herbicidas de contato: não tem capacidade para se translocarem dentro das plantas, portanto, exigem uma boa cobertura durante a aplicação. São exemplo: paraquat, bentazon e lactofen.

Em relação à época de aplicação dos herbicidas, estes podem ainda ser separados em três categorias:

  • Pré-plantio incorporado: são aqueles aplicados diretamente no solo, os quais exigem uma posterior incorporação, que pode ocorrer de forma mecânica ou via irrigação. Fazem parte desta categoria a trifluralina e os EPTCs.
  • Pré-emergência: são herbicidas indicados para a aplicação logo em seguida da semeadura da cultura principal, entretanto, antes da sua emergência. Exemplos: diuron e alacloro.
  • Pós-emergência: são herbicidas indicados para aplicação depois da emergência das plantas de interesse, pois a sua absorção ocorre, principalmente, via foliar. Exemplos: lactofen, haloxifope-P-metílico, ioxynil e bentazona.

A classificação dos herbicidas baseada no mecanismo de ação é a maneira mais utilizada, visto que evidencia a forma de atuação dos produtos ativos.

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Mecanismo de ação dos herbicidas

O conhecimento do mecanismo de ação é primordial para um manejo realmente eficaz das plantas indesejadas. Visto que, implica não só na seletividade do mesmo, mas também na redução dos biótipos de plantas daninhas resistentes.

Atualmente, já existem diversos relatos na literatura a respeito de plantas resistentes à herbicidas em território nacional, o que tem alertado instituições de pesquisa quanto a uma melhor distinção dos mecanismos de ação.

Ao rotacionar herbicidas como diferentes mecanismos de ação, evita-se que plantas daninhas se tornem resistentes e, que se ponha em risco a eficácia dos princípios ativos disponíveis.

Segundo a HRAC-BR (Associação Brasileira de Ação à Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas), os mecanismos de ação dos herbicidas podem ser separados em 21 grupos, os quais permitem a sua divisão com base em seu sítio de ação.

 

Como os herbicidas atuam nas plantas daninhas

Como você viu no item acima, os herbicidas possuem diversos mecanismos de ação. Entretanto, como mecanismo principal, os herbicidas atuam em locais específicos do metabolismo das plantas.

Estes locais são conhecidos como “sítios de ação”, onde as moléculas dos herbicidas agem, de forma a inibir as funções essenciais ao desenvolvimento da planta.

Boa parte dos sítios de ação nas plantas daninhas são enzimas, as quais ao se ligarem às moléculas do herbicida, paralisam ou retardam as reações bioquímicas.

Atualmente, o glifosato ainda é um dos herbicidas mais utilizados no Brasil, e atua por meio da inibição da enzima 5-enolpiruvilchiquimato-3-fosfato (EPSPs), componente essencial para rota de geração de aminoácidos aromáticos.

Devido ao bloqueio da rota da EPSPs, não ocorre a geração de flavonóides e hormônios, além de proteínas fundamentais ao crescimento das plantas.

Devido a estas características, os herbicidas desta categoria são classificados como pós-emergentes.

Os herbicidas inibidores de ALS, por outro lado, estão entre os mais utilizados em todo o mundo. Eles atuam inibindo a enzima acetolactato sintetase (ALS) que é responsável pelo metabolismo de aminoácidos essenciais.

Enquanto que, os herbicidas inibidores de ACCase, agem através da inibição da formação de lipídios, em virtude do bloqueio da enzima Acetil-CoA carboxilase (ACCase).

Esta enzima participa da formação de lipídios, como os da membrana plasmática celular, por exemplo.

Com o bloqueio na geração das membranas celulares, não ocorre a criação de novas células. Sendo assim, o crescimento das plantas é totalmente inibido.

Os herbicidas inibidores de ACCase também são classificados como pós-emergentes, pois necessitam ser absorvidos e translocados para as regiões meristemáticas.

Principais casos de resistência de plantas daninhas

Atualmente, o Brasil é um dos países que mais utilizam herbicidas no manejo das lavouras, especialmente, devido a adoção do Sistema Plantio Direto ou do cultivo mínimo adotado na maior parte das lavouras comerciais do país.

Sendo assim, muitas vezes, ocorre a utilização indiscriminada e repetitiva de determinados princípios ativos de herbicidas sem que ocorra a sua rotação, especialmente, em lavouras com variedades de plantas transgênicas, onde as plantas possuem mecanismos de tolerância a um ou mais herbicidas com princípios ativos distintos.

Nas áreas de lavouras comerciais brasileiras já foram relatados diversos casos de biótipos de plantas daninhas com resistência a herbicidas, como:

Pesquisas tem indicado ainda, que as plantas daninhas resistentes aos herbicidas inibidores da ALS são casos frequentes em todo o mundo.

O caso do Amaranthus palmeri, merece extrema atenção, uma vez que apresenta resistência simples a herbicidas com cinco diferentes mecanismos de ação. Além disso, estudos já têm comprovado a resistência múltipla para mais de um mecanismo de ação em diversas partes do mundo.

No Brasil, esta planta daninha tem seu primeiro relado no Mato Grosso do Sul no ano de 2015. Entretanto, já no ano seguinte foi comprovada a ocorrência da resistência múltipla de Amaranthus palmeri aos herbicidas inibidores da ALS e EPSPs.

Enquanto que, a resistência das diferentes espécies de buva foi um caso que surgiu em consequência, do uso indiscriminado do glifosato em lavouras de soja geneticamente modificada.

Como evitar que as plantas daninhas se tornem resistentes aos herbicidas

Além dos casos citados acima, existe uma infinidade de relatos por todo o mundo de resistência de plantas daninhas aos herbicidas. As organizações ligadas a agricultura, em nível nacional e mundial, estão em alerta para os relatos de resistência cruzada.

Por isso, nós elencamos algumas medidas de manejo que visam a manutenção da atividade dos princípios ativos dos herbicidas por mais tempo, visto que os mesmos são limitados.

Além de tudo, não há previsão para que novas moléculas com diferentes mecanismos de ação sejam desenvolvidas nas próximas décadas.

Para que sejam minimizados os casos de plantas daninhas resistentes, algumas medidas podem ser priorizadas:

  • Respeite sempre as informações presentes nas bulas dos herbicidas. Principalmente, as que dizem respeito as concentrações dos princípios ativos, tecnologia de aplicação e o estádio das plantas.
  • Restrinja, sempre que possível, o número de aplicações com um mesmo herbicida, mecanismo de ação ou família, em uma mesma lavoura.
  • Adote práticas de manejo alternativas, como a rotação de culturas e controle mecânico.
  • Realize a limpeza de máquinas e equipamentos antes de movê-los entre os talhões. Isso evita o transporte de material propagativo de plantas daninhas entre eles.
  • Posteriormente a aplicação de algum herbicida, monitore as áreas para verificar a ocorrência de plantas daninhas que tenha escapado à ação dos herbicidas. Nestes casos, é recomendável a adoção de controle mecânico ou até mesmo uma nova aplicação com um herbicida de mecanismo de ação diferente do anterior.

Além das informações relatadas acima, é fundamental que você conheça as espécies de plantas daninhas presentes na lavoura. Pois, somente desta forma, é que se pode monitorar com precisão o surgimento de biótipos resistentes, safra após safra.

Um monitoramento preciso e frequente das populações de plantas daninhas é a chave para o manejo utilizando herbicidas.

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