Temos visto com frequência relatos de que a população mundial está aumentando e que será necessária uma maior produção de alimentos, sem que ocorra um aumento das áreas cultiváveis.

Estimativas das Nações Unidas indicam que até 2050 seremos cerca de, 10 bilhões de habitantes no mundo.

Neste cenário, a agricultura terá que aumentar em aproximadamente 50% a sua produtividade para alimentar toda essa população.

Para que isso ocorra, sem o aumento da área cultivada, existem poucas alternativas até o momento, como por exemplo:

Considerando que as plantas exportam elevadas quantidades de nutrientes do solo, o manejo das adubações pode ser uma excelente forma de se alcançar parte deste incremento produtivo, destacando-se os nutrientes essenciais como:

  • Nitrogênio (N)
  • Fósforo (P)
  • Potássio (K)

Atualmente, fertilizantes como o nitrato de potássio, podem ser fornecidos às plantas de forma a incrementar a sua produtividade e qualidade, ao mesmo tempo em que fornecem nitrogênio e potássio.

O nitrato de potássio, especificamente, é uma excelente alternativa para várias culturas, uma vez que pode se utilizado na adubação de diferentes maneiras.

Entretanto, o seu fornecimento das plantas requer cuidado!

Você sabe a melhor forma e época de aplicar nitrato de potássio às suas culturas agrícolas?

Ficou curioso?

Confira!

1. Importância do nitrato de potássio às culturas

Com o objetivo de manter os altos tetos produtivos nas principais culturas agrícolas brasileiras, o agricultor necessita fornecer uma série de nutrientes essenciais para um bom desenvolvimento das plantas.

Neste sentido, destacam-se os macronutrientes NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), absorvidos em maiores quantidades pelas plantas.

O nitrogênio (N) é, sem dúvida, um dos nutrientes mais importantes, pois participa em mais da metade da constituição das plantas.

Logo em seguida, vem o potássio (K), essencial em diversos processos metabólicos e enzimáticos dos vegetais.

Já o fósforo (P) é um caso a parte, uma vez que a sua absorção é complexa, sendo ele pouco móvel no solo e o seu aproveitamento pelas plantas varia conforme o pH, tipo de solo, etc.

Boa parte das culturas de importância econômica possuem proporções similares de nitrogênio e potássio, nutrientes, exportados do solo por meio das plantas em elevadas taxas.

Portanto, existe a necessidade de repor estes nutrientes ao solo, de forma que as culturas mantenham as suas produtividades em níveis aceitáveis e não sofram com sintomas de deficiência nutricionais.

Desta forma, faz-se necessário a utilização de adubações com fertilizantes minerais, em algumas ou em diversas etapas do manejo produtivo.

Neste cenário, o nitrato de potássio é considerado como um “coringa”, uma vez que pode ser utilizado na:

  • Adubação de base ou fundação
  • Adubação de cobertura
  • Fertirrigação
  • Na composição nutricional de soluções para hidroponia
  • Adubação foliar, etc

No entanto, a forma de aplicação do nitrato de potássio dependerá do tipo de cultivo, das condições do solo, da disponibilidade do adubo e dos custos para a sua aquisição.

De modo geral, podemos considerar que o nitrato de potássio é uma mistura do cloreto de potássio (KCl) com o ácido nítrico (HNO3).

Fatores que trazem vantagens a sua utilização na agricultura, já que o nitrogênio se encontra na forma nítrica, o que diminui a sua perda no solo por volatilização.

2. De onde vem e para que serve o nitrato de potássio

Grande parte do nitrato de potássio utilizado na agricultura tem origem nos enormes depósitos de nitrato de sódio (NaNO3) existentes nos desertos chilenos.

No processo de obtenção do nitrato de potássio, ocorre a purificação do nitrato de sódio, o qual é posteriormente metabolizado junto a uma solução de cloreto de potássio.

A partir desta reação, obtém-se o nitrato de potássio.

Além disso, dependendo dos objetivos e recursos disponíveis, o nitrato de potássio ainda pode ser obtido através de reações com ácido nítrico (HNO3) ou nitrato de amônio (NH4NO3).

Mesmo assim, independentemente do processo de obtenção, o produto final ou o nitrato de potássio gerado, é idêntico.

O fertilizante nitrato de potássio chega até o mercado consumidor/agricultor na forma de um material cristalino e solúvel em água.

Destinado principalmente, à dissolução e aplicação com água (adubo foliar) ou em uma forma pré-preenchida para aplicação no solo.

Além da sua aplicação como fertilizante, o nitrato de potássio possui diversos outros usos, como por exemplo:

  • Explosivo: utilizado em propulsores de foguetes e na composição de fogos de artifício. Já que o nitrato de potássio é um dos principais componentes da pólvora.
  • Conservante de alimentos nas indústrias: reconhecido pela Anvisa para a adição em produtos derivados de carne animal. Tem a função de prevenir a contaminação por micro-organismos.
  • Ourivesaria: usado por ourives para limpar metais e aumentar a resistência do ouro.
  • Aquarismo: aplicado na água marinha com o objetivo de controlar o desenvolvimento de cianobactérias.
  • Tratamento de sementes: induz a quebra de dormência de sementes.

 

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3. Principais funções do nitrogênio e potássio nas plantas

Os dois principais nutrientes do nitrato de potássio são o nitrogênio e potássio.

Ambos são fundamentais para boa parte dos processos nos vegetais.

O nitrogênio atua no desenvolvimento, crescimento e fotossíntese das plantas, sendo constituinte estrutural das clorofilas, vitaminas, hormônios, carboidratos, proteínas, dentre outros diversos compostos.

Na fisiologia das plantas, o nitrogênio tem papel de destaque nos processos fotossintéticos e de respiração, além de ser também responsável pela assimilação iônica de outros nutrientes, diferenciação celular e constituição genética.

Este nutriente é exportado em grandes quantidades pelas plantas, por isso a sua reposição deve ser frequente nos solos agrícolas. O que deve ser realizado com base em análises de solo e nas taxas de exportação de cada cultura agrícola.

Sendo assim, a deficiência de nitrogênio nas plantas causa uma série de efeitos deletérios às culturas. Sendo, um dos grandes responsáveis por baixas produtividades.

O potássio, por sua vez, é assimilado pelas plantas na forma de K+, sendo o cátion de maior importância à fisiologia vegetal. Diferentemente do nitrogênio, o potássio não apresenta função estrutural.

Entretanto, é um importante ativador enzimático, atuando principalmente no sistema de manutenção da turgidez celular. Sobretudo, nos estômatos, sendo responsável pela abertura e fechamento dos mesmos.

Desta forma, a sua deficiência pode impactar negativamente no processo de assimilação do CO2, consequentemente, na taxa fotossintética das plantas.

Além disso, o potássio é extremamente móvel, por isso a sua deficiência é percebida inicialmente nas folhas mais velhas, onde, na falta deste elemento, o distribuem para as folhas mais jovens.

Diante do exposto, percebe-se que fornecimento de fertilizantes como o nitrato de potássio é essencial para sustentar o desenvolvimento dos meristemas, de frutos, grãos e tubérculos, ou seja, partes das plantas com elevadas demandas por estes nutrientes.

4. Nitrato de potássio como fertilizante

O nitrato de potássio tem diversas aplicações como fertilizante na agricultura. Representando uma das principais fonte de nitrogênio e potássio às plantas.

Quando é utilizado isoladamente, a sua formulação em NPK é, geralmente, de 13-0-44.

O nitrato de potássio pode ser utilizado em praticamente todas os tipos de cultivos, seja ele para a produção de grãos, frutos, fibras e entre outros.

Na cultura do mamoeiro por exemplo, o fornecimento de nitrato de potássio via fertirrigação (duas vezes por semana) aumentou o número de frutos por planta, bem como o comprimento médio dos mamões.

Na produção de fibras, o aporte de potássio em determinadas fases de desenvolvimento do algodoeiro é fundamental para a produtividade e qualidade da pluma.

Por isso, estudos conduzidos no Goiás comprovaram que o fornecimento de nitrato de potássio influenciou positivamente a produção de algodão em caroço. Independente da via de aplicação, seja no solo ou adubação foliar.

Esse comportamento é verificado devido a fisiologia da cultura, que consome, aproximadamente, 4,5 kg ha-1 dia-1 de potássio, entre 60 e 80 dias após semeadura.

Os efeitos benéficos do nitrato de potássio também foram verificados na cana-de-açúcar. Nesta cultura, o nitrato de potássio atuou como indutor de maturação, o que resultou em um maior acúmulo de sacarose nos colmos.

Utilizando-se um sistema de fertirrigação por gotejamento subsuperficial na mesma cultura, o nitrato de potássio proporcionou produtividade de colmos variando de, 168 a 190 t ha‑1.

Estudos conduzidos no Iran para a cultura do tomateiro relatam que o fornecimento de nitrato de potássio via adubação foliar pode ser realizado tanto na fase vegetativa quanto reprodutiva. Uma vez que, foi responsável pelo aumento da produtividade e parâmetros relacionados a qualidade dos frutos.

Além disso, o nitrato de potássio também pode compor a formulação de soluções nutritivas para culturas hidropônicas, como tomateiro, rúcula, almeirão, morango, entre outros.

5. Efeitos da adubação foliar utilizando nitrato de potássio

A adubação foliar utilizando nitrato de potássio tem sido continuamente empregada a fim de complementar ou suprir as necessidades nutricionais das plantas.

Sendo esta, uma estratégia de manejo agrícola onde os nutrientes são fornecidos diretamente na parte área das plantas, de forma a serem absorvidos diretamente pelas folhas.

Adubações foliares com nitrato de potássio podem contribuir positivamente no tamanho, o peso e o vigor das sementes de soja.

Em muitos casos, estes benefícios podem estar associados à permeabilidade e integridade das membranas dos tecidos, uma vez que, o nitrato de potássio atua como ativador enzimático.

Culturas de alto potencial produtivo como a soja são beneficiadas por aplicações foliares de nitrato de potássio. Aplicações foliares nos estádios reprodutivos aumentaram o rendimento de grãos, sobretudo quando foi associado ao Map.

De acordo com a Fundação Rio Verde, aplicações foliares no estágio R3 proporcionaram, um menor peso de mil grãos. Contudo, potencializou a produtividade da soja em 7% em relação à testemunha. Sendo assim, obteve-se um incremento de 3,9 sacos ha-1 na produtividade.

6. Nitrato de potássio como redutor da salinidade

Independente da cultura agrícola e do sistema de produção, a qualidade da água utilizada é de fundamental importância para se obter êxito na produção.

O emprego de água de qualidade inferior, sobretudo no que diz respeito ao teor de sais dissolvidos, impacta de forma negativa a produtividade e a qualidade dos produtos. Uma vez que, a salinidade atrapalha a absorção e o metabolismo de nitrogênio.

Além de tudo, é comum que solos salinizados sejam deficientes em nitrogênio.

Hortaliças como a rúcula e alface, são culturas bastante sensíveis a salinidade. Por isso, diversos estudos foram conduzidos avaliando o efeito do nitrato de potássio sobre os efeitos salinidade da água de irrigação ou da solução nutritiva nas plantas.

Além dos aspectos nutricionais benéficos relacionados ao nitrato de potássio, este fertilizante atua no estresse salino. Reduzindo a absorção de sódio (Na+) e aumentando a absorção de outros cátions, como cálcio (Ca2+) e potássio.

Na prática, o fornecimento de nitrato de potássio potencializa o acúmulo de compostos orgânicos nitrogenados, que são armazenados junto ao nitrato no vacúolo, reduzindo o potencial osmótico das células.

Portanto, o nitrato de potássio auxilia de forma direta na regulação osmótica das plantas sob estresse salino.

Na rúcula, a utilização de solução salina enriquecida nitrato de potássio causou aumento no número de folhas. Sugerindo que, o nitrato de potássio é capaz de inibir os efeitos deletérios da salinidade nesta cultura.

 

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