As últimas décadas foram marcadas por intensas mudanças no setor agropecuário brasileiro.

O agricultor, que antes preocupava-se apenas com questões relativas à produção, agora precisa se guiar por questões relacionadas à gestão financeira da sua atividade rural.

Com um mercado cada vez mais competitivo e margens de lucros cada vez mais estreitas, o Agronegócio precisou adotar medidas direcionadas à otimização da gestão financeira.

A administração uma propriedade agrícola não é uma tarefa fácil.

Muitas vezes, é o próprio agricultor que toma conta, não só da produção agropecuária, como também da compra de insumos, da comercialização, da contratação de funcionários e da gestão financeira do seu empreendimento.

E é aí que mora o perigo.

A gestão financeira de uma propriedade rural não é tarefa fácil e, um simples descuido pode pôr em xeque toda a lucratividade do sistema produtivo.

Em função da correria decorrente das atividades diárias de uma propriedade rural, alguns agricultores negligenciam a sua gestão financeira.

Neste contexto, muitos problemas poderiam ser evitados se, simplesmente, os agricultores utilizassem ferramentas para auxiliar na gestão financeira,  além de adotarem uma boa estratégia de planejamento para a gestão financeira no curto e longo prazo.

A gestão financeira é um item fundamental dentro de qualquer empresa rural, independente do seu porte ou atividade.

É em função da gestão financeira que o agricultor se baseia para tomar decisões importantes, como:

  • Aquisição de maquinário
  • Compra de novas áreas de terra
  • Aquisição de insumos e defensivos
  • Construção de infraestrutura
  • Arrendamentos
  • Contratação de novos funcionários, etc.

Na ausência de um planejamento, o agricultor não tem conhecimento de para onde está indo o seu capital investido.

Além disso, ocorre a impossibilidade de cortes de gastos desnecessários ou pouco relevantes.

Um dos primeiros passos para iniciar uma boa gestão financeira é a avaliação do saldo disponível no fluxo de caixa, que corresponde ao balanço entre as contas a pagar e as contas a receber.

Se este saldo for negativo, significa que a empresa possui mais despesas do que dividendos.

Entretanto, se o mesmo positivo, significa que existe um aporte financeiro, que permite à propriedade rural arcar com suas obrigações.

Planejamento financeiro

Antes de tomar qualquer decisão dentro de uma propriedade rural, o agricultor precisa avaliar se ele terá a capacidade de honrar com os seus compromissos financeiros.

Em outras palavras, antes de fazer um investimento, o agricultor precisa levar em consideração a gestão financeira da sua atividade.

E com isso, avaliar se será capaz de pagar os gastos necessários para a atividade agrícola ou da pecuária.

Para tomar este tipo de decisão, é necessário que o agricultor olhe para as finanças do seu empreendimento rural e planeje, quando e como pode fazer um investimento.

Um bom planejamento exige a manutenção de um bom controle do fluxo de caixa. Em função dele, o agricultor consegue controlar o tipo de investimento que pode ser feito, sem que ponha em risco a “saúde” da gestão financeira do seu negócio.

Neste sentido,

O planejamento financeiro pode atuar com uma estratégia para possíveis investimentos futuros.

Na gestão financeira, o planejamento consiste em traçar metas e objetivos, para que empresa rural cresça cada vez mais.

Um bom planeamento financeiro, deve levar em consideração itens, como:

  • Objetivos (ex: necessidade de uma colhedora)
  • Estratégias (ex: financiamento de uma colhedora nova ou usada; arrendamento de uma colhedora)
  • Ações para atingir os objetivos
  • Recursos para alcançar os objetivos
  • Possíveis dificuldades
  • Prazos, etc.

Com base nos itens acima, percebe-se que o planejamento financeiro é depende das necessidades específicas de cada produtor rural.

É preciso ressaltar também a importância da determinação correta dos custos de produção, que é um fator fundamental para o sucesso de qualquer atividade agropecuária.

Grande parte dos empresários rurais possuem algum tipo de controle apenas sobre as despesas de custeio, relacionadas à compra dos insumos necessários para a realização da atividade.

Entretanto, outros custos como mão-de-obra, encargos, juros, impostos, despesas administrativas, depreciações e manutenções também precisam ser contabilizados, para que se tenha um diagnóstico completo da situação financeira da propriedade rural e para que se possa tomar decisões com base na análise destes dados.

A gestão financeira deve ser um processo contínuo e tem como finalidade dar apoio nos momentos de tomada de decisão.

Desta forma, utilizam-se estratégias oriundas do planejamento financeiro, auxiliando o produtor na hora de decidir:

  • Onde investir (Ex: aquisição de terras)
  • Como investir (Ex: 3 hectares, 20 hectares, etc)
  • Quando investir (Ex: agora, daqui há um mês, no final da safra, etc)
  • Quanto pode-se investir.(Ex: R$ 1.000, R$ 20.000 ou R$ 50.000)

O planejamento financeiro realizado de modo estratégico age como direcionador de investimentos na atividade agrícola.

Técnicas de Vendas e Marketing no Agronegócio
Técnicas de Vendas e Marketing no Agronegócio

Ferramentas que auxiliam na gestão financeira

Devido ao crescimento das tecnologias nas ultima décadas, diversos tipos de recursos têm sido desenvolvidos com foco na gestão financeira agrícola.

A tecnologia veio não só para auxiliar as grandes propriedades rurais, como também, para os agricultores de menor escala, revendas de insumos, cooperativas, etc.

Além de facilitar a gestão financeira como um todo, estas ferramentas permitem uma melhoria das atividades diárias de cada propriedade, como por exemplo:

  • Manutenção de máquinas agrícolas
  • Abastecimento e controle de frota
  • Quadro de horas extra de funcionários
  • Fluxo de caixa
  • Controle de estoque de insumos
  • Manutenção do quadro de vacina dos animais
  • Gestão de ganho de peso por cabeça de animal
  • Histórico de produção por área, safra, cultura ou por animal, etc.

A utilização destas e de outras ferramentas possibilitam uma gestão financeira mais ágil e eficiente, eliminando a necessidade de planilhas intermináveis e passíveis de erros, os quais muitas vezes passam despercebidos.

As ferramentas de gestão financeira trazem agilidade e rapidez na hora de tomada de decisão, pois permitem uma visão sistêmica de todas as atividades de uma propriedade rural.

Sendo assim, a utilização destas ferramentas com foco na gestão financeira se baseia na informatização do meio rural.

Atualmente, estão disponíveis no mercado uma miríade de softwares com diversas finalidades. Os quais podem ser adquiridos conforme a necessidade dos produtores, podendo ser dos tipos:

  • Software gratuito (Freeware): um programa de computador grátis, ou seja, não necessita de pagamento de licenças.
  • Software comercial: é um programa desenvolvido por uma empresa com fins lucrativos. Na maioria das vezes, o pagamento é feito na forma de uma assinatura mensal.

A adoção de ferramentas informatizadas para gestão financeira é uma tendência nos dias de hoje.

Estas ferramentas são consideradas como fatores primordiais ao sucesso da atividade agrícola, pois permitem a visualização em tempo real, de quais atividades estão sendo realizadas e como elas impactam na gestão financeira da atividade.

Além dos softwares automatizados, muitas pessoas ainda tem utilizado as planilhas eletrônicas baseadas em “Excel”. Estas planilhas, quando bem organizadas, apresentam basicamente as mesmas funcionalidade dos softwares.

Entretanto, são passíveis de erros e necessitam serem constantemente preenchidas “manualmente”, o que demanda tempo.

Como saber se a minha propriedade está indo bem?

Dentro de uma atividade agrícola, a gestão financeira direciona muitas decisões importantes. Entretanto, diversos produtores negligenciam as informações geradas pelos mecanismos de gestão.

Para que um agricultor saiba como está o desenvolvimento da sua atividade é necessário a análise de vários fatores, que variam de acordo com a finalidade da sua produção.

Para exemplificar, utilizaremos um estudo de caso.

Nele serão utilizados indicadores de desempenho para analisar a viabilidade e o desenvolvimento de uma propriedade.

 

Estudo de caso: Produtor de gado em Sinop/MT

O Sr. José possui 300 cabeças de gado em Sinop/MT e não possui qualquer sistema de gestão financeira. Ele faz tudo de “cabeça”, porque ele sempre fez assim e tem dado certo, até agora.

Entretanto, o Sr. José já está ficando cansado e pretende passar a gerência da propriedade para o seu filho, Ítalo.

Para ter noção de como andam as coisas na fazenda do pai, o Ítalo decide fazer um levantamento das atividades desenvolvidas nos últimos anos.

Para isso, foram utilizados alguns indicadores de desempenho da gestão financeira. Os quais fornecem importantes informações para a tomada de decisão no setor da pecuária bovina, dentre os quais destacam-se:

  • Índice de fertilidade: corresponde ao número de fêmeas, que após a cobertura ficaram prenhas. Este indicador é obtido, conforme a equação abaixo.
  • Índice de natalidade: corresponde ao número de bezerros nascidos em um determinado período de tempo. Para obter este indicador, utiliza-se a equação abaixo.
  • Índice de mortalidade: corresponde ao número de animais mortos em determinado período, obtido pela equação abaixo.
  • Índice de descartes: relaciona-se a quantidade de animais descartados por diversos motivos, em um dado período de tempo.
  • Índice de crescimento do rebanho: a partir deste índice se tem uma estimativa do crescimento do rebanho em um determinado período de tempo. Existem diversas maneiras de estabelecer este índice, entretanto, uma das formas mais comuns é utilizando a equação abaixo.

Num sistema de gestão financeira bem elaborado, nada impede que diversos índices sejam estabelecidos. Na verdade, eles variam de acordo com as atividades desempenhadas por cada propriedade rural.

Servindo como demonstradores da evolução das atividades da propriedade em um determinado período de tempo. Além de, permitir uma visualização prática da gestão financeira como um todo.

Erros que devem ser evitados para melhorar a gestão financeira

Certamente vocês já ouviram o ditado “é errando que se aprende“.

No mundo do Agronegócio, nem sempre essa premissa é verdadeira.

Aliás, os erros podem trazer consequências catastróficas e, muitas vezes impedir que os agricultores continuem as suas atividades.

Desta forma, um simples erro pode trazer o caos para a gestão financeira de uma atividade agrícola.

Sendo assim, a melhor opção ainda é evitar que os erros ocorram.

Por isso, é importante pensar quais são os potenciais erros que o produtor rural deve evitar para manter a sua gestão financeira em dias.

Baseado nisso, elaboramos uma lista contendo os erros mais comuns na gestão financeira rural:

 

Não ter um fluxo de caixa atualizado

O fluxo de caixa é essencial para o acompanhamento da rotina da gestão financeira de uma propriedade.

Pois é com base no fluxo de caixa que se tem conhecimento dos recursos financeiros disponíveis, ou seja, o quanto de receita foi gerado e o montante que está sendo destinado às despesas.

 

Misturar as finanças pessoas com as finanças empresariais

Este é um erro muito comum, principalmente, em pequenas propriedades, onde o dono da terra é agricultor e gestor ao mesmo tempo.

Estes produtores tender a tratar a gestão financeira da sua atividade e da sua vida pessoal, como uma só.

Sendo assim, pequenos e médios agricultores costumam ter apenas um “caixa” para a gestão financeira pessoal e empresarial. Ao fazerem isso, eles não conseguem identificar de onde estão vindo as despesas e, principalmente, qual a lucratividade da sua atividade.

 

Não pagar os fornecedores em dia

Em propriedades rurais que não possuem uma gestão financeira bem elaborada, a probabilidade de pagar contas com atraso é alta.

Sem um planejamento financeiro, o agricultor não sabe qual o melhor dia para realizar os pagamentos e, com isso, tende a pagar as contas em atraso, o que gera juros e multas.

Sendo assim, ocorre um gasto indevido de capital, que no longo prazo, pode representar uma boa fatia dos lucros da empresa.

Este tipo de problema pode ser facilmente resolvido com a adoção de sistemas de gestão financeira automatizados.

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