Conhecer o perfil do solo é fundamental para o sucesso da sua lavoura, pois possibilita a tomada da melhor decisão e adoção das técnicas de manejo mais adequadas.

Considerando que o planejamento do negócio é o primeiro passo do empreendimento e, quando bem feito, aumenta drasticamente nossas chances de obter bons resultados, fica evidente a necessidade de sermos experts em perfil do solo.

Isso ocorre porque o perfil do solo é um dos fatores que podem limitar as atividades que podemos desenvolver nas áreas agrícolas.

O cultivo de arroz irrigado por inundação exige perfil do solo que possibilite o acúmulo de água em superfície sem grandes perdas por percolação, por isso é executado, principalmente, em solos mal drenados como Planossolos e Gleissolos.

Por outro lado, a maioria das cultivares de soja foram desenvolvidas para áreas bem drenadas, então se você pretende implantar lavoura com esta cultura é fundamental optar por solos profundos e que possibilitem adequada infiltração de água.

Espécies florestais, como a acácia-negra, possuem sistema radicular extenso, deste modo, demandam solos profundos e sem impedimentos físicos em subsuperfície, não sendo recomendadas para perfis do solo rasos como os dos Neossolos.

Como você já percebeu, planejar sua atividade agrícola sem o conhecimento do perfil do solo é como praticar tiro ao alvo no escuro.

Portanto, uma das primeiras e mais importantes etapas do planejamento é identificar o perfil do solo, enquadrá-lo em uma classe e decidir sobre o cultivo e as técnicas de manejo pertinentes de acordo com o seu interesse e a aptidão agrícola do solo.

Para isso, você pode pesquisar por levantamentos de solo já realizados por entidades de pesquisa como universidades e Embrapa ou contratar um profissional com formação na área.

Diante do que foi exposto, se você tem interesse em saber mais sobre o perfil do solo e o que pode ser feito para aumentar a produtividade da lavoura, continue lendo esse artigo.

O que é o perfil do solo

Já falamos muito sobre a importância e o porquê devemos ser experts sobre o perfil do solo, agora vamos saber o que isso significa.

O perfil do solo é a seção vertical, da superfície até a rocha matriz, sendo dividido em horizontes mais ou menos paralelos.

Os horizontes são camadas de solo com características em comum que ocorrem em função dos processos pedogenéticos atuantes ao longo do tempo.

Essas características podem ser relativas a espessura, cor, textura, estrutura e outras.

De acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, em geral, o perfil do solo apresenta, havendo exceções, horizonte A, horizonte B e horizonte C.

O horizonte A corresponde à camada superficial, o horizonte B à camada subsuperficial e o horizonte C à camada antes da rocha matriz.

Além disso, podem ocorrer outros horizontes em condições específicas, como é o caso do horizonte H que ocorre em áreas com acúmulo de material orgânico em superfície e em condições de excesso hídrico.

É em função da ocorrência de determinados horizontes e propriedades no perfil do solo que podemos classificá-los e determinar sua aptidão.

Exemplificando, os Argissolos devem apresentar, obrigatoriamente, horizonte B textural, ou seja, um horizonte com acúmulo de argila em subsuperfície, caracterizando gradiente textural em relação ao horizonte A.

Além disso, mesmo dentro da mesma classe Argissolos, podem ocorrer variações quanto as condições de drenagem de acordo com os processos de formação.

Argissolos com cores acinzentadas no perfil do solo indicam condições de redução, ou seja, acúmulo de água em alguns períodos do ano, caracterizando drenagem imperfeita.

Por outro lado, cores avermelhadas indicam condições de oxidação predominantemente e boa drenagem.

Essas variações de coloração em função do regime de drenagem no perfil do solo ocorrem em função da solubilização do Fe durante sua redução de Fe+3 para Fe+2, fazendo com que este elemento fique móvel no perfil do solo e deixe de conferir as cores avermelhadas.

Tais características são importantes para optarmos por culturas ou variedades mais ou menos resistentes ao encharcamento.

Construção do perfil químico do solo

Quando falamos em perfil químico do solo nos referimos às características químicas de interesse agronômico que nele ocorrem e nossa preocupação é disponibilizar os nutrientes essenciais às plantas em quantidades ideais e no momento oportuno.

Essas características englobam o pH, capacidade de troca de cátions, teor de nutrientes, teor de matéria orgânica e presença de possíveis elementos tóxicos no perfil do solo.

Teores de matéria orgânica menores do que 2,5% são considerados baixos e indicam a necessidade de adoção de práticas capazes de aumentá-los, enquanto que valores próximos a 5% são considerados adequados.

A concentração desejada de N, P e K no perfil do solo varia de acordo com a matéria orgânica, argila e CTC, respectivamente, podendo ser verificada, assim como os teores ideais de Ca, Mg e S, no manual de adubação e calagem desenvolvido para sua região.

Não é novidade para nós que a grande maioria dos solos brasileiros, abrangendo os diversos biomas, são ácidos e, por isso, a calagem é uma prática obrigatória caso você queira extrair todo o potencial produtivo das plantas.

Mesmo sendo uma prática simples e com custo relativamente baixo, a calagem ainda é negligenciada em muitas propriedades agrícolas, as quais possuem menor emprego de tecnologias e pouco poder de investimento.

Sendo assim, é importante que nos preocupemos em ressaltar a importância da calagem. Essa prática objetiva fazer com que o pH no perfil do solo alcance valores na faixa de 6 a 6,5, ideal para maioria das culturas.

Nessa faixa de pH, os macro e micronutrientes encontram-se solúveis e disponíveis para serem absorvidos. Quando em valores de pH mais altos ou baixos dos que os indicados aqui, os nutrientes essenciais às plantas estarão indisponíveis.

Além disso, o calcário neutraliza o alumínio presente na camada superficial do perfil do solo, impedindo a ocorrência de toxidez.

Sendo assim, cerca de seis meses antes do cultivo, devemos realizar a amostragem do perfil do solo e verificar se há necessidade de calagem para que ela seja realizada em até três meses antes da implantação do cultivo.

Caso você já tenha realizado a calagem, há efeito residual de cerca de 5 anos, com alguma variação a depender do clima da região. Após esse período, devemos voltar a nos preocuparmos com o pH do perfil do solo.

Com a mesma análise do perfil do solo utilizada para verificar a necessidade de calagem, serão reportados os teores de nutrientes no solo.

Assim, com o auxílio do manual de adubação e calagem da sua região, será possível quantificar as quantidades de fertilizante e calcário que precisamos aplicar, assim como estratégias de parcelamento de doses como ocorre no caso do nitrogênio.

Técnicas de Vendas e Marketing no Agronegócio
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Construção do perfil físico do solo

O perfil físico do solo reflete a sua estrutura, ou seja, a forma como suas partículas sólidas estão arranjadas e regulam os processos de penetração das raízes, aeração, infiltração e retenção de água.

O perfil do solo deve apresentar estrutura que favoreça a respiração das raízes, armazene e disponibilize água e nutrientes em quantidade suficiente para as plantas exercerem todo o seu potencial genético de produtividade.

Esses processos ocorrem adequadamente, em geral, quando o perfil do solo apresenta 50% do seu volume composto por poros, sendo, no mínimo, 40% de microporos e 10% de macroporos.

Nossa principal preocupação, geralmente, é evitar a compactação do perfil do solo a níveis que comprometam o desenvolvimento de raízes e a absorção de água e nutrientes.

Fazendo uma analogia, não adiantaria termos todos os teores de nutrientes em níveis ideais e disponíveis em um tijolo maciço, pois ele representa um ambiente completamente desfavorável ao crescimento de plantas em virtude do seu alto grau de compactação.

A compactação do perfil do solo é comum em áreas agrícolas e é desencadeado por tráfego de máquinas em excesso ou em condições alta umidade, ocasionando a formação de uma camada subsuperficial densa e com alta resistência à penetração de raízes.

Temos o valor de 2 MPa como limite máximo de resistência à penetração de raízes no perfil do solo sem que haja restrição ao seu crescimento e desenvolvimento.

Uma maneira prática de inferir sobre a presença desse problema é através da abertura de uma trincheira de 50 cm, com o auxílio de uma faca, perfuramos o perfil do solo em várias profundidades verificando se há aumento da dificuldade de perfuração, além de observar o aspecto visual.

Outra alternativa, dependendo da sua necessidade e de fatores como o tamanho da área, é adquirir um penetrômetro, equipamento capaz de facilitar a identificação da ocorrência de camadas compactadas no perfil do solo.

Visando contornar este problema, escarificação é a principal estratégia utilizada no Brasil. Essa prática revolve o perfil do solo até a camada de aproximadamente 30 cm, rompendo a camada compactada.

Após este processo, é possível implantar o Sistema de Plantio Direto, que é o principal sistema de cultivo utilizado no país e comprovadamente contribui para a conservação do perfil do solo.

Os cuidados necessários para evitar a ocorrência de nova compactação são a execução de operações de preparo somente em condições de umidade adequada e diminuir, sempre que possível, o número de passadas e o peso das máquinas e implementos.

O perfil do solo e a redução dos custos de produção

É o perfil do solo que irá receber, nas suas camadas superficiais, todo o investimento feito por você traduzido em sementes de variedades com alto potencial produtivo, fertilizantes, gastos com máquinas, implementos, combustível e mão-de-obra.

E como já discutimos aqui, o perfil do solo deve apresentar uma série de especificidades que permitam e favoreçam a expressão do potencial genético das cultivares semeadas.

Um cuidado básico e primordial para você reduzir custo é simplesmente utilizar sementes ou mudas com qualidade fitossanitária assegurada, evitando a introdução de doenças disseminadas via material propagativo na área.

Pragas e doenças de solo são de difícil controle, por isso devemos optar por áreas livres delas ou por culturas que não sejam afetadas.

E dentre os possíveis problemas de ordem química e física que podem ocorrer no perfil do solo, quais deles você acha que seriam menos onerosos e mais facilmente sanados?

Em geral, é mais fácil e barato manipular os atributos químicos do solo. As práticas de calagem e adubação já são amplamente conhecidas e divulgadas para as culturas mais importantes na maioria das regiões do país.

Excetuam-se desse caso ocasiões de contaminação do perfil do solo por metais pesados ou outros compostos que podem ser tóxicos às plantas e ao ser humano.

As práticas de escarificação e drenagem costumam ser mais trabalhosas e onerosas. Por exemplo, visando o cultivo de soja, é mais simples corrigir a acidez de um Latossolo no cerrado brasileiro do que melhorar a infiltração de água e aeração de um Planossolo.

Ademais, nunca devemos esquecer de priorizar a execução de práticas de cultivo que necessitam o revolvimento do solo em condições de umidade ideais, quando o solo está friável, ou seja, oferece baixo esforço do implemento e é menos suscetível à compactação.

Exemplificando, estudos comprovam que as operações de preparo, quando o solo está friável, aumentam a capacidade de suporte de carga do perfil do solo, diminuindo o risco de compactação.

O perfil do solo e as altas produtividades

Altas produtividades sempre estarão associadas a um perfil do solo capaz de exercer perfeitamente as funções apresentadas neste texto.

As quantidades exatas de calcário e fertilizantes são informadas nos manuais de adubação e calagem desenvolvidos para cada estado ou região.

Neles, de acordo com o pH e teor de nutrientes apontados na análise de solo, determinamos a necessidade de calcário e adubo conforme a cultura e a expectativa de rendimento.

A respeito do perfil físico do solo, admitimos, em geral, que há condições adequadas de aeração, retenção e disponibilidade de água quando há 50 % do volume do perfil do solo correspondente ao espaço poroso e, desses 50%, 10% são macroporos e 40% são microporos.

Além disso, existem equipamentos de fácil manuseio que medem a resistência a penetração do solo (RP), auxiliando na tomada de decisão da necessidade de revolver o solo. Temos como referência o valor de 2 MPa como limite máximo de RP.

É nítida a importância de termos uma visão integrada dos fatores que afetam o desempenho da lavoura e ressaltamos a importância do perfil do solo na atividade agrícola.

Assim como não adianta comprar a melhor semente e não realizar adubação, não há retorno em aplicar fertilizante e não garantir a ausência de compactação superficial no perfil do solo.

Pesquisas advertem sobre a ocorrência de compactação em solos agrícolas e seus efeitos prejudiciais ao crescimento radicular em fases importantes, como é o caso do crescimento inicial e estabelecimento da lavoura.

Não podemos cometer o erro de fazer com que uma cultivar com alto potencial genético de produção deixe de expressar seu rendimento em função da não aplicação de práticas simples, como é o caso da calagem no momento certo.

Porém, sempre é válido considerar a ideia de que o sucesso da sua atividade será possível apenas com uma visão integradas de todos os fatores de produção, que vão desde a semente, perfil do solo, manejo de pragas e doenças, colheita, armazenamento, processamento e comercialização do produto.

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