A alfafa é uma das leguminosas destinadas a alimentação animal com o grande potencial de crescimento latente. Isto se dá em virtude da sua elevada capacidade de produção de forragem, associado à excelente adaptação da cultura as mais diversas regiões brasileiras.

Em nível mundial, a alfafa é plantada em mais de 32 milhões de hectares, sendo os Estados Unidos, Rússia, Canadá e Argentina os maiores produtores desta leguminosa.

A nível nacional, estima-se que a área cultivada com alfafa seja de aproximadamente 40 mil hectares, sendo 90% desta área nos estados do Paraná e no Rio Grande do Sul.

Entretanto, apesar de sua produção se concentrar no Sul, tem-se expandido também para regiões como Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

A dispersão da alfafa no Brasil ocorre devido ao seu potencial como planta forrageira, que se dá, em função de algumas características importantes, como:

  • Alta produtividade anual
  • Excelente capacidade de rebrota e aptidão ao pastejo
  • Possibilidade de ser produzida, praticamente, durante o ano todo
  • Produção de forragem de boa qualidade
  • Boa aceitação pelos animais
  • Elevado valor nutritivo

No Brasil, a alfafa se destaca ainda devido as suas múltiplas possibilidades de uso, o que facilita a atividade dos pecuaristas, como por exemplo:

  • Silagem
  • Feno
  • Pastejo
  • Pellet de alfafa, etc.

As características acima citadas, garantem disponibilidade de alimento de boa qualidade durante todo o ano para os animais, estejam eles mantidos sob sistemas intensivos ou extensivos.

Por isso, a alfafa ganhou o título de “A Rainha das Forrageiras“. Além disso, essa forrageira possui de 2 a 4x mais proteína bruta do que o trevo-branco (Trifolium repens) e a silagem de milho (Zea mays).

Desta forma, a alfafa desponta como uma excelente alternativa para renovação de pastagens e diversificação alimentar de animais.

Origem da alfafa e as suas principais características

A alfafa (Medicago sativa) é uma planta perene e pertencente à família Fabaceae, também conhecida como leguminosas, por produzirem um fruto do tipo legume. Dentre, as leguminosas forrageiras, a alfafa foi à primeira espécie a ser domesticada, o que pode explicar a sua ampla adaptabilidade a diversos tipos de solo e clima.

No que diz respeito aos seus requisitos para o cultivo e tratos culturais, a alfafa é altamente exigente em fertilidade de solo, apresentado melhores resultados em solos com elevados teores de matéria orgânica.

É uma planta que possui um bom desenvolvimento em solos com pH neutro ou alcalino (pH 6,5 a 7,5), contudo isso não é um fator limitante, visto que pode se desenvolver também em solos levemente ácidos.

Outro ponto positivo desta planta são os seus atributos físico-químicos, que revelam a sua excelente capacidade nutricional. Estudos realizados pela Embrapa Pecuária Sudeste, estimam que, de maneira geral, a alfafa contém:

  • 22 a 25% de proteína bruta,
  • 1,6% de cálcio,
  • 0,26% de fósforo
  • 65 a 70% de Nutrientes Digestíveis Totais

Estes valores são superiores aos das principais espécies vegetais utilizadas na pecuária, como o milho, a cana-de-açúcar e o capim-elefante.

Quais as principais cultivares de alfafa

Atualmente, existem diversas cultivares de alfafa disponíveis em nível mundial, as quais nem sempre, desenvolvem-se bem em todas as regiões brasileiras, em função das dimensões continentais do nosso país.

O maior número de cultivares de alfafa é registrado nos países que são os maiores produtores, como EUA, Canadá e Argentina.

Sendo assim, devido à proximidade do Brasil com a Argentina, nossos “hermanos” são também os nossos principais fornecedores de cultivares de alfafa.

O Brasil possui pouquíssimas instituições de pesquisas trabalhando com melhoramento genético de alfafa, destacando-se, principalmente:

Os principais estudos sobre a alfafa atualmente buscam focar nas variedades, popularmente conhecidas como “crioulas”,  que representam a maior área plantada de alfafa, principalmente no Rio Grande do Sul.

As cultivares crioulas são o resultado de um processo de seleção que ocorreu naturalmente, por meio de uma associação entre agricultor e a natureza. Pesquisas estimam que esse processo tenha ocorrido no estado do Rio Grande do Sul por volta de 1850.

De acordo com dados coletados no Registro Nacional de Cultivares, do Serviço Nacional de Proteção de Cultivares, apenas 10 cultivares de alfafa tem registro no Brasil, sendo elas:

  • Alfafa
  • BRS Tropluz (Embrapa)
  • Crioula
  • CUF 101 (Universidade da Califórnia, EUA)
  • KF 911
  • Monarca SP INTA
  • Super Leiteira
  • Trifecta
  • WL-325 HQ
  • WL-525 HQ

 

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Alfafa como silagem

Uma estratégia bastante interessante em alguns períodos do ano é a produção de silagem de alfafa, realizada a partir do excesso de produção de forragem.

A silagem serve para complementar a alimentação animal nas épocas de menor produção de alfafa ou de menor produção do pasto tropical.

De modo geral, as leguminosas como a alfafa se caracterizam por possuírem elevada porcentagem de proteína, fator que facilita o processo de fermentação para a realização da ensilagem.

O ponto primordial para a produção de silagem de alfafa é o momento do corte. Diversos estudos indicam que o corte da forragem deve ser realizado quando cerca de 10 a 25% dos perfilhos estiverem com flores. Isso representa o ponto máximo de acúmulo de massa seca, nutrientes e proteínas totais.

No entanto, também é nesta fase que a capacidade tampão está mais alta e, os teores de carboidratos solúveis, mais baixos. Associado a isso, a alfafa possui caule tubular e oco, fator que impossibilita uma adequada retirada do ar.

Se considerarmos que o processo de ensilagem é baseado em fermentação anaeróbica, isso pode complicar a obtenção da silagem de alfafa.

Por isso, diversos pesquisadores têm estudado possíveis alternativas para contornar essa situação. As principais soluções encontradas até o momento envolvem:

Isso resulta no incremento da população de bactérias láticas durante o processo e, consequentemente, maior produção de ácido lático. Estes produtos podem ser encontrados com certa facilidade em lojas especializadas e devem ser utilizados diretamente na forragem.

Alfafa com feno

No Brasil, a alfafa é utilizada principalmente na forma de feno. Provavelmente, esta preferência é devido a facilidade com o que o feno é comercializado, transportado e armazenado.

Além disso, o feno de alfafa é um alimento de elevado valor nutritivo, obtido via desidratação da própria forrageira.

Embora, algumas características estejam associadas a qualidade do feno, como por exemplo as condições ambientais durante o corte e o período da secagem.

De modo geral, recomenda-se que o enfardamento do feno de alfafa deva ser realizado apenas quando o teor de água do material atingir 18%.

A partir de estudos realizados pela UNESP de Botucatu, visando avaliar a qualidade do feno de alfafa sob diversos processos de obtenção, verificou-se que:

  • Quando o feno de alfafa é exposto ao sol, ocorrem decréscimos significantes nos valores de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA).
  • Entretanto, quando o feno de alfafa é seco a sombra, a incidência de fungos sobre ele é maior. Principalmente, no feno obtido via amontoa, em função da baixa aeração para a redução da umidade.

Com base nesses resultados, os autores concluem que o melhor método para a conservação da alfafa deve envolver a exposição da forragem ao sol até a perda de 50% do peso original, com posterior secagem do material espalhado à sombra.

Desta forma, o feno de alfafa perde a umidade inicial quando exposto ao sol, podendo secar mais lentamente à sombra, posteriormente, sem o comprometimento da sua qualidade.

Alfafa como pasto

Em áreas de manejo sob sistema extensivo, o pasto com a alfafa também pode ser uma boa opção para o pastejo direto. No entanto, assim como todas as forrageiras, a alfafa exige um momento ideal para sua utilização.

Em áreas novas, o primeiro pastejo deve iniciar apenas quando as plantas estiverem em florescimento pleno, ou seja, com aproximadamente 80% das plantas florescidas.

Neste estádio, a planta já acumulou uma maior quantidade de reservas na forma de carboidratos. Além disso, ela já possui um bom sistema radicular, que permitirá o seu rebrote após o pastejo.

No segundo pastejo, a entrada do gado deve iniciar quando 10% das plantas estiverem em florescimento. Sob condições de pastejo contínuo, o gado deve ser retirado do piquete quando a alfafa estiver com altura de 8 a 10 centímetros.

Entretanto, durante o período do inverno, o pastejo deve ocorrer antes da floração. Caso a floração ocorra, o ideal é que as plantas sejam cortadas, para posterior fenação ou ensilagem e, até mesmo pastejada até que a brotação basal atinja de 3 cm a 5 cm de altura.

Essas recomendações são essenciais para a manutenção de um bom pasto de alfafa. Elas permitem que as plantas acumulem quantidades suficientes de reserva, para favorecer a rebrota, boa produção e alta persistência ao longo do tempo.

Além disso, o pastejo com alfafa é altamente rentável financeiramente. Estudos comprovaram que os sistemas de produção de gado de leite que utilizaram alfafa para pastejo se mostraram benéficos economicamente, comparando aos que não a utilizam.

Os resultados econômicos e financeiros foram superiores aos do sistema tradicional em até 43,39%, dependendo do nível de produção de leite e do tempo de pastejo em alfafa. Desta forma, pode-se concluir que esta forrageira foi uma aliada importante na redução dos custos de produção.

Problemas com pragas e insetos

Como toda planta cultivada, a alfafa pode apresentar alguns problemas fitossanitários limitantes da sua produção, sendo as principais causas: as pragas e as doenças.

Importantes pragas podem atacar esta forrageira, de modo geral, pode-se dizer que os pulgões e os besouros são os problemas mais sérios.

Pulgões: atualmente, são as pragas de maior importância econômica. Isto ocorre devido ao vasto número de espécies que podem atacar a cultura. Além disso, causam redução da produtividade, através do ataque nas folhas e da transmissão dos vírus do mosaico da alfafa e do mosaico das enações.

Besouros: Diversas espécies e tipos de besouros podem causar prejuízos a alfafa. Cabe destacar o brasileirinho (Diabrotica speciosa), a vaquinha (Epicauta atomaria) e gorgulho-da-alfafa (Naupactus leucoloma ou Pantomorus leucoloma). Eles alimentam-se das folhas e, consequentemente enfraquecem a planta e reduzem a área fotossintética.

Por ser uma espécie de ampla disseminação mundial, a alfafa está sujeita a infecções por diversos agentes fitopatogênicos. Dentre eles, os principais são:

Murcha de Fusarium: ocorre principalmente em regiões de solo com boa umidade e com altas temperaturas. Esta doença acomete o sistema vascular da planta, provocando murcha generalizada nas plantas infectadas, mesmo quando as condições hídricas são satisfatórias.

Mofo branco: quase todas as plantas leguminosas estão sujeitas a infeção por mofo branco. Na alfafa, é causada pelo fungo Sclerotium rolfsii, um patógeno altamente destrutivo e que tem capacidade de persistir no solo por longos períodos.

O desafio para a produção de alfafa está em como controlar de forma adequada essas doenças e pragas. Uma vez que, no Ministério da Agricultura existe o registro apenas de oito produtos para a cultura, sendo sete produtos comerciais de origem microbiológica e apenas um herbicida.

 

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